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Nove razões para não leres “Também os brancos sabem dançar”, de Kalaf Epalanga

Por Vanessa Sanches Fotografia: Ana Brigida/ RA

Se o título deste artigo fosse “Nove motivos para leres Também os brancos sabem dançar, de Kalaf Epalanga”, terias clicado no link? Pois este é um clickbait saudável. Nas próximas linhas explicamos o porquê.

Kalaf está a tornar-se num clássico do movimento urbano lusófono, quer a nível musical, visto ser fundador de um dos grupos de maior sucesso dos últimos dez anos da música electrónica empregnada de kuduro, a nível fashion, considerando o seu impecável savoir vestir, ou ainda a nível literário, depois de ter lançado o tão bem-sucedido livro de crónicas O Angolano que comprou Lisboa (por metade do preço) e o Estórias de Amor para Meninos de Cor.

Depois de nos ter habituado a ler as suas crónicas no português Público e no extinto Rede Angola,  Kalaf Epalanga aventurou-se a escrever uma auto-ficção sobre uma viagem de autocarro da cidade sueca de Gotemburgo para Oslo, a capital da Noruega, onde vai actuar nessa noite no festival OYA, com os Buraka Som Sistema. Mas o artista perdeu o seu passaporte e, na onda de azar, foi detido pela polícia por tentativa de imigração ilegal e conduzido à esquadra da polícia para interrogatório.

O que fazer? Explicar quem são os Buraka Som Sistema? Falar da cena musical de Lisboa? De como nasceu o Kuduro num musseque de Luanda? De Luanda a Kristiansund, de Beirute ao Rio de Janeiro, sem esquecer a sua amada Lisboa, o romance vagueia entre datas e lugares que te farão querer “devorar” as 371 páginas de uma só vez.

Kalaf Epalanga

Abaixo, deixamos-te nove motivos para comprares o livro Também os brancos sabem dançar.

1 – Vais descobrir por que a antiga discoteca Mussulo, em Lisboa, foi um ex-líbris cultural angolano na capital portuguesa.

2 – Kalaf explica-te por que todo o estrangeiro africano teme ir a uma missão consular de um país acima da linha do Equador pedir um visto.

3 – Vais entender a origem do kuduro ou por que este género é um sucesso.

4 – Kalaf explica-te por que foi Hochi Fu importante na redefinição visual do kuduro.

5 – Como dizer não, com estilo, a pessoas endinheiradas.

6 – Como surgiu a inesperada participação da muldialmente conhecida cantora M.I.A numa música dos Buraka Som Sistema, cuja produção foi de DJ Znobia.

7 – Sempre com um fio condutor surpreendente, saímos, por exemplo, da frenética e eclética Barcelona do início dos anos 2000 e passamos a 4 de Fevereiro de 1961, quando Neves Bendinha, Paiva Domingos da Silva, Raul Leão, Domingos Manuel Mateus e Imperial Santana intentaram uma revolução.

8 – Kalaf vai fazer-te (re)ouvir “I Am” e “1 para 2” e relembrar por que Bruno M está para o kuduro como Tupac está para o hip hop.

9- Vais descobrir por que é que Cavaco Silva, sim, o ex-presidente de Portugal, inventou a kizomba.

Para matar a curiosidade, basta comprar o livro nas várias livrarias disponíveis online.

Vanessa Sanches

Vanessa Sanches

Escrevo aqui e ali. Gosto de estórias que marcam histórias. Sou de Portugal, com veia cabo-verdiana, dois pés em Angola e coração em França. Africanidade, estilos de vida e música são os temas que me prendem a atenção, mas gosto de me distrair com politiquices e bizarrices.

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