Com 12 anos de carreira e outros tantos de amizade, Péricles e Carlos deram a Cabo-Verde o seu maior contributo, o seu Produto Interno Bruto. Numa fase em que o hip-hop crioulo está em expansão pela lusofonia, PIB vem dá-nos uma mistura de sonoridades em que todos estão convidados a dançar.

Os Rapaz 100 Juiz estão em tour pela Europa e, ao passar em Lisboa, Portugal, não podíamos deixar que se fossem embora sem trocar duas palavras e beber um copo de ponche di(de) terra com a BANTUMEN.

A conversa viajou entre o álbum e um pouco da história da dupla. O disco dos Rapaz 100 Juiz é para ser consumido com vontade e empenho, para que as pessoas “ouçam e decorem as letras”, confirma a dupla.

O feedback sobre o álbum tem sido positivo. “Nem Nem”, “Preparado”, “Nha Caneta é Fdd”, “500 Mil Pássaro”, “Será Ki Npodi Bai”, “No Wi-Fi”, “Kakabarbozam”, “#Kuzensaskrevinessom”, “Lado Li”, “Imagina” e “Caras” são os temas que compõem o CD e que tem deliciado a comunidade africana, em especifico, e do mundo, em geral.

Rapaz 100 Juiz
Rapaz 100 Juiz |Foto: Miguel Roque / BANTUMEN

Os 12 anos de carreira de Rapaz 100 só foram trilhados porque desde o início se mantiveram fiéis ao tipo de música que sempre fizeram, cantam a sociedade, o governo, e a história de Cabo-Verde, fazendo da música de intervenção a marca do grupo.

“Bebem” de muitas influências, desde os mais antigos aos mais novos cantores dentro e fora da diáspora. O rap dos dois rapazes é uma crítica e ao mesmo tempo é uma solução, e muitas vezes não é vista com bons olhos pelas televisões e rádios locais que, de alguma forma, censuram o trabalho de Carlos e Pericles.

“a música com os calema toca nas rádios em cabo-verde e é o tipo de música que fazemos menos.  fazemos outros tipos de música que não passam”

A dupla acredita que ainda tem muito trabalho pela frente, mas que em 12 anos já conquistaram muita coisa, grandes palcos e quebraram barreiras. São o rosto da mudança e a esperança dos mais jovens na terra que viu Cesária Évora crescer.

“A música com os Calema, toca nas rádios em cabo-verde e é o tipo de música que fazemos menos. Fazemos outros tipos de música que não passam”, confessou Péricles. Contudo, enquanto o povo consumir a música dos Rapaz 100 Juiz, o trabalho não pára mesmo que a censura seja maior.

Abaixo podes ouvir o Podcast#22 em que a dupla falou dos 12 anos de juízo:

E também podes ver a entrevista ao qual responderam a algumas perguntas: