O Angolano Que Comprou Lisboa (por Metade do Preço) é o novo livro de Kalaf Epalanga que tem por base uma selecção de textos publicados no jornal Público e site Rede Angola, com edição da Caminho. A apresentação decorrerá no dia 13 de Dezembro, pelas 18h30 em Lisboa, Portugal.

Reparem, a seguir a Luanda, o lugar onde todas as idiossincrasias deste povo ganham maior visibilidade é Lisboa.
Daí, mesmo que eu quisesse, é impossível ficar imune a essa banga, basta alguém identificar-me o sotaque (ou a ausência dele).
A verdade é que a vaidade angolana já se tornou monumento de fama internacional. Uma atração turística ambulante, que onde quer que estejam angolanos, uma multidão de curiosos aparece para tirar fotografias, entregar currículos ou propor negócio, como me aconteceu recentemente. Quando terminava o meu almoço, sai da cozinha o proprietário e propõe-me que lhe compre o restaurante, com todo o recheio, licenças, cozinheiros e empregados de mesa incluídos.

E eu, do alto da minha vaidade, tão afetado pela crise financeira em Portugal quanto o pobre senhor, lanço-lhe a pergunta:
Quanto é que custa?

Kalaf, benguelense, criado no seio de uma família de funcionários públicos, com ligações à vila da Catumbela, lugar que visita com regularidade.

A música e os palcos do mundo lhe permitiram traçar um mapa afetivo das pessoas que habitam a sua memória, assim como os locais que o marcaram – da fábrica de açúcar do Cassequel ao Caminho de Ferro de Benguela, da Restinga do Lobito à rua Jacob de Paiva, onde aprendeu a equilibrar-se numa bicicleta. A aventura poética  teve início em finais dos anos 90, em Lisboa, numa altura em que a cidade ensaiava novas linguagens rítmicas, buscando novos caminhos para a música urbana feita em português. Neste percurso cruzou-se com os pioneiros do movimento de música electrónica, contou estórias e gravou dois «disco- falados» que lhe valeram o título de Poeta-Cantor, A Fuga… e Strategies And Survival. Com o produtor João “Branko” Barbosa, crente de que era possível exportar Lisboa para mundo, fundou a Enchufada, núcleo de produção musical, editora independente e incubadora de ideias como Buraka Som Sistema. Em 2011 é editado, pela Caminho, o seu primeiro livro de crónicas, Estórias de Amor para Meninos de Cor.