Eles são as estrelas da nova campanha da marca Guinness. Homens que se dedicam a vestirem-se como gentlemans, e que criaram uma sociedade curiosa e sui generis do mundo da alfaitaria na República do Congo. Apresentamos-lhe os Dandys ou Sapeurs do Congo.

Vista por fora, Brazzaville, a capital da República do Congo, não aparenta ser um foco óbvio de uma subcultura pioneira na alfaiataria.

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Enquanto o desafio diário da maioria da população é apenas conseguir comer e enfrentar a pobreza extrema, combinar sapatos e gravatas não é exactamente a prioridade da agenda de todos. No entanto, tranquilo e persistente, um movimento cultural fascinante foi borbulhando como uma tendência nesse canto do mundo, por mais de um século.

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Os Sapeurs, que significam Société des Ambianceurs et des Personnes Elegantes (Sociedade de Criadores e Pessoas Elegantes), são um grupo de homens que tornaram a arte de vestir numa declaração cultural, respeitando um código condizente de roupas cavalheirescas e fazem-no esplendidamente todas as manhãs.

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A noção de estilo dos Sapeurs é baseada numa exuberância alegre, cores brilhantes, alfaiataria elegante e impecável atenção aos detalhes; fatos em cores vibrantes como verde, laranja e rosa, com riscas largas, chapéus de coco, bengalas elegantes, laços categóricos, lenços e echarpes vistosas e tudo o que os faça marcar pela diferença luxuosa. É um ADN de indumentária que remota ao requinte da idade do jazz,1920, e tem as suas raízes na colonização Francesa do Congo no inicio do século 20.

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Alguns Congoleses inspiraram-se na nova afluência francesa e a sofisticação e elegância de Paris tornou-se um objectivo na indumentária. Quando os imigrantes Congoleses visitavam França voltavam carregados com elegância, os Sapeurs evoluem assim para uma tribo de estilo desenvolvido, adaptando roupas europeias com um toque africano vibrante.

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O que torna a sua noção de vestir ainda mais notável — até surreal — é que esta ocorre muitas vezes num cenário de pobreza e privação. Os Sapeurs assemelham-se a aves exóticas raras em ambientes desesperados desde prédios bombardeados a cidades de favelas. Mas isto não é acerca de frivolidade ou notáveis exibições de riqueza. Existem costumes comportamentais rigorosos que são inerentes a um Sapeur, que são tão importantes, se não mais, do que vestir com gosto e ímpeto.

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Os Sapeurs são um modelo de maneiras e comportamentos de cavalheirismo; a linguagem que utilizam, a maneira como andam, a forma como tratam as pessoas é muito importante. Para que um homem seja um Sapeur ele tem de ser gentil, não pode ser agressivo, tem de ser contra a guerra e ser uma pessoa calma. Num país onde a maioria da população vive abaixo da linha da pobreza, os simples actos de gentileza, cortesia e civismo significam muito. Os Sapeurs cultivaram um código de conduta, gentileza e senso de propriedade que são uma rejeição dos aspectos mais brutais na vida de um Congolês. Mesmo os cuidados de higiene dos Sapeurs são uma forma de mostrar que é possível manter-se limpo e higiénico num país com escassez de água. A ideia que as pessoas têm do Oeste Africano vem muito do que se consome nos media e estes pintam os Sapeurs como um arco-íris berrante.

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As roupa dos Sapeurs podem não ser muito caras, muitas vezes eles emprestam tecidos entre si, de modo a conseguirem uma combinação elegante, criativa e com estilo. Também adquirem peças e tecidos na capital, Brazzaville, ou têm peças que são feitas pelos alfaiates locais.

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Não são uma sociedade clandestina, o foco está na inclusão. A iniciação aos códigos sociais e visuais da sociedade Sapeur aparece através de inúmeras formas: por vezes são os pais que mostram aos filhos como se faz, outras vezes são amigos, ou simplesmente por opção pessoal. Sapeurs gostam de dizer que os seus costumes passam de geração em geração, dos avós para os pais e para os filhos.

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Os cínicos podem rejeitar como brilho trivial, mas o efeito transformador de vestir como um Sapeur — aperfeiçoar a forma de dar um nó numa gravata, o inclinar num angulo correto a cartola, combinar elegantemente as cores — é uma forma de sentir uma sensação de orgulho. Quando os Sapeurs saem à rua, nas suas indumentárias elegantes e luxuosas, esquecem os seus problemas. Sentem-se felizes!

Texto original em The Tegraph.