Não queremos ter uma história única.
No dia do nosso continente partilhamos convosco seis estereótipos que alguns povos de outras regiões do mundo têm sobre nós africanos. Recuperamos, assim, um artigo publicado no canal televisivo russo, RT, em Novembro de 2014, que nos dá o mote para este elenco.

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  1. Em África chove. Desenganem-se aqueles que acreditam que em África só faz sol. Há, aliás, países como Moçambique sofreram cheias que afectaram mais de 200 mil pessoas em 2013. Em Angola, no mês de Março deste ano, na província de Benguela, morreram mais de 60 pessoas e centenas de famílias ficaram desalojadas devido às fortes chuvas.

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  1. Em África, existem arranha céus. Nem só de cubatas e musseques se fazem as estruturas do continente. Há imensas cidades modernas e cosmopolitas com prédios altos, estradas em bom estado, jardins, restaurantes com mais ou menos luxo e escritórios que servem de local de trabalho para milhões de pessoas. Angola não é diferente. Veja-se a nova Marginal, por exemplo.

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  1. Em África não existem só pobres. Em Angola também não. Sim, é certo que cerca de 47% dos habitantes de África vivem com menos de 1,25 dólares americanos por dia, mas além desta percentagem estar a diminuir, 1 em cada 3 africanos define-se como sendo de classe média. Em Angola há muita pobreza, sim, mas não passamos todos fome e tão pouco vivemos todos no limiar da pobreza.

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  1. Os africanos têm acesso a tecnologia moderna. Ou não estivéssemos nós, em Luanda, a recuperar este artigo da RT em frente a um pc com ligação wi-fi à Internet. Também usamos telemóveis de última geração. O mercado da tecnologia tem um crescimento incrivelmente rápido em África. A partir de 2013, 80% dos africanos tinham acesso a um telemóvel. Em Angola também acompanhamos a evolução das tecnologias. Os nossos dispositivos Apple e Android falam por si.

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  1. “Africano” não é uma língua nem uma nacionalidade. África tem 54 países. O inglês é um dos idiomas oficiais em 24 desses países e o francês é a principal língua em 22 nações africanas. No nosso continente fala-se mais de 2.000 línguas e nenhuma delas se chama africano assim como África não é um país. Angola tem como língua oficial o português e, adicionalmente, por cá falam-se 46 línguas nacionais.

  1. Não, não temos todos sida. Lembram-se do caso Justine Sacco? Em 2013, a directora de Relações Públicas de uma empresa norte-americana, antes de partir para a África do Sul publicou um Tweet em que dizia “Vou para África. Espero não apanhar sida. Brincadeira: sou branca”. Deixamos os comentários ao vosso critério. Aqui em Angola, de acordo com o Relatório de Progresso da Resposta Global à sida (2014) esta epidemia é considerada generalizada com uma prevalência global estimada em 2,38% dos adultos entre os 15 e os 49 anos.

Somos pela erradicação da ignorância camuflada no preconceito. Não fingimos estar na vanguarda do desenvolvimento, mas pretendemos ser olhados como de facto somos, sem o rótulo e “o perigo de uma história única” de que nos falou Chimamanda Adichie.

Bom dia para todos os africanos. De raízes ou de convivência, não importa.
Estamos juntos.