O corpo de governo do Futebol tem 209 associações como membros que votaram no presidente Blatter para dirigir uma vez mais a FIFA, no 65º congresso anual. Desde a sua primeira eleição á presidência em 1998, Blatter nunca esteve longe da polémica, mas ainda assim não o suficiente para ser retirado do poder.

O vice-presidente da Confederação Africana de Futebol, alega terem-lhe sido oferecidos $100,000 USD para votar no Blatter em 1998, mas desde a sua primeira eleição para o cargo que este tem sido uma forma imparável na FIFA. Apesar dos apelos para que a votação fosse adiada e para que Blatter se demitisse, ele foi eleito pela quinta vez como presidente, contra o pano de fundo de acusações e subornos dos EUA interposta contra 9 funcionários da FIFA e cinco executivos, relativos a dezenas de milhões de dólares de subornos e lavagem de dinheiro durante o último quarto de século.

Joseph Blatter não foi acusado 

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Como um dos últimos homens a manter-se na FIFA, Blatter disse em Zurique que “cabe-me a mim a responsabilidade de defender o bem estar da organização”. A Procuradora Geral dos EUA Loretta Lynch que lidera a investigação recusou-se a comentar directamente sobre Blatter, mas confirmou que a investigação dos EUA está em curso. As acusações Americanas relacionam directamente com Concacaf, a Associação Norte e Centro Americana de Futebol, mas envolvem pessoas com laços estreitos com Blatter.

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As alegações são de que o dinheiro de empresas de radiodifusão e patrocinadores corporativos é utilizado por empresas de marketing desportivo intermediário, para subornar funcionários em troca de apoio oficial. Estas rotas secundárias de passagem de informação, dizem ter facilitado o suborno que levou á adjudicação corrupta de torneios internacionais. Os EUA estão a usar leis de extorsão destinadas a reprimir a criminalidade organizada, que trazem sentenças de prisão até 20 anos. As chances são que, se o caso for suficientemente forte, pelos menos um dos homens já detidos, vai virar evidência de estado e dar ás autoridades americanas a munição de que eles necessitam contra Blatter.

Porque houve pedidos para Blatter se demitir?

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Como o outro homem detido, Blatter é inocente de qualquer delito até prova em contrário, mas as suas negações de envolvimento rodeiam para um público internacional que tem crescido cada vez mais incrédulo. Ou Blatter estava ciente da corrupção generalizada de que os EUA estão agora a alegar, ou ele tem governado a organização com incompetência. Sendo presidente há quase duas décadas, ele terá supervisionado um corpo que agora é acusado de ter concedido torneiros de futebol a países após um processo de corrupção sistemática de subornos.

Dúvidas sérias face ás bem sucedidas propostas do Qatar e Rússia, continuam.  Não foi apenas porque a Inglaterra perdeu a Copa do Mundo para o Qatar que o Primeiro Ministro Inglês e o Secretário da Cultura pediram a demissão de Blatter. Os EUA têm tido debaixo de olho os oficiais da FIFA desde, pelo menos 2012, quando o ex-membro do Comité da FIFA, Chuck Blazer, virou informante, após ameaça de prisão por fraude e invasão fiscal. Usando um bug, colocado nas suas chaves do carro, Blazer foi parte dos esforços do FBI que deram aos EUA confiança para arrebentar a bomba antes desta votação.

Porque houve apenas um oponente de Blatter?

David Ginola is among those who have called for an end to Qatar's kafal system of labour laws

A aposentada estrela do futebol David Ginola anunciou a sua candidatura em Janeiro com o apoio das apostas Paddy Power, mas retirou-a no final do mesmo mês, não tendo conseguido obter as mínimas cinco nomeações de membros, que permitiam que ele passasse á próxima fase. A equipa de Ginola foi forçada a reembolsar os apoiantes, no que foi considerado um amplo golpe de relações públicas. O projecto de Ginola estimava conseguir cerca de £ 2,3 Milhões, mas obteve como apoio £ 8452, na primeira semana.

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O Presidente da Federação Alemã, Michael Van Praag e o antigo jogador internacional Português, Luis Figo, atingiram ambos as cinco nomeações mínimas requeridas para permanecer. Figo, disse inicialmente que não estava preparado para ficar, pois como ele disse: “está provado para mim que não estamos a viver uma ditadura”. Ambos, Figo e Van Praag saltaram da corrida quase no fim, com o intuito de consolidar o movimento anti-Blatter, atrás do príncipe Ali.

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Parece que esta campanha teve o seu sucesso, com o recente anúncio da demissão de Blatter, sendo que este exercerá o poder até haver uma nova eleição. A investigação americana continua e pode acabar na publicação de documentos internos relativos á adjudicação dos torneios que a FIFA tem suprimido até á data. Vamos ver se esta eleição de Blatter não foi o início do fim, para a organização.