Confesso que quando ouvi aquela música, do Sam The Kid Mulher Que Deus Amou, à primeira, a ideia com que fiquei do trecho Orgasmo Mental Espontâneo remeteu-me logo para a minha tara por homens inteligentes.

A rapidez com que estes me têm é quase assustadora.

A parte boa disto foi descobrir que este meu fetiche tem nome… E nada mais é que Sapiossexualidade (estranho neh?!)

Se está a pensar: “Então isso se refere à maioria das pessoas, não? Afinal, quem gosta de gente burra?”

Bom, a ideia não é bem essa. Sapiossexual significa aquele que é atraído sexualmente pela inteligência, visão de mundo, bagagem de conhecimento e/ou nível cultural alheio.

“Como assim excitada pela inteligência alheia? É ter orgasmos com uma explicação genial sobre a teoria da relatividade? Cruzes!”

Mas eu me perdoei rápido por essa culpa injusta: é que entendi – e tratei de me convencer – que a inteligência que nos interessa não é essa inteligência monótona de quem decora fórmulas matemáticas que nunca usou e nunca usará. A inteligência que realmente seduz mulheres – e homens, acredito – é aquela que poderia ser mais adequadamente denominada ‘sapiência’. É a inteligência subtil, despretensiosa, de quem não procura se afirmar, mas se revela aos poucos, o mais naturalmente possível.

Pessoas com essa inclinação de gosto tendem a se entediarem com conversas triviais e corriqueiras e quando encontram alguém, que as interesse pelo seu conhecimento e inteligência, se entusiasmam e isso acaba por estimular a sua própria mente, criando conversas intermináveis sobre assuntos mais profundos – e outros assuntos não tão convencionais. Então sim, nesse caso, a inteligência real não é subtil, ela é envolvente e charmosa, porém ela não é forçada, ela é fluida e natural naquele indivíduo. É a inteligência de quem conhece de música – leia-se: de boa música – de quem sabe portar-se em qualquer discussão – mesmo naquelas sobre um assunto sobre o qual não tenha absoluto conhecimento. De quem discute política mundial sem parecer presunçoso e consegue falar de qualquer outro assunto sem ser monótono. Basta ter sobre o que conversar. Basta ser minimamente interessante.

O segredo, na verdade, está no equilíbrio. Na fala cuidada e no silêncio oportuno. E, principalmente, na falta de vontade de provar que conhece, que sabe. O segredo está na inteligência que se revela nos detalhes, nas entrelinhas.

É como comida bem feita: se o tempero sobressai demais, estraga. Torna-se indesejada, inoportuna. Mas, se ela se revela no paladar, torna-se a verdadeira cereja no topo do bolo. Deixa aquele gosto de “quero mais” que nos faz repetir quantas vezes nossa fome permitir.Mujimbos de Edna Eurídice Neto