É, na actualidade, uma das referências do minúsculo núcleo de compositores angolanos de sucesso. Com apenas um disco editado, Kyaku Kyadaff detém o que de melhor existe de reconhecimento da actividade artística em Angola. Em entrevista à Angop, o cantor revela que nunca tinha sido levado a sério enquanto artista.

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Foi espetacular obrigado e hoje novamente Estaremos lá

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Para Kyaku, só não sabe pronunciar o seu nome quem não é dado a coisas simples. E para quem não entende Kikongo, Kyaku significa “teu” e Kyadaff  é a designação que criou em 2007, no início da sua carreira, para se apresentar como artista e é nada mais do que a junção entre o seu nome próprio, Kyaku, com os nomes dos seus pais, Fineza e Fernandes.

Nasceu em Mbaza Congo e a sua potencialidade musical foi camuflada pela vontades alheia que não considerava a música como uma ocupação profissional condigna ou rentável.

Acredito ter nascido com o dom da música

A sua carreira carreira podia ter despontado mais cedo, mas a “impiedade” de um professor de estatística fê-lo perder a oportunidade de passar à segunda fase do programa Estrelas ao Palco. O artista não se arrepende de ter optado por fazer a prova que estava marcada no mesmo dia da avaliação do concurso. Acredita que a música faz parte de si desde sempre e que nada iria mudar o seu percurso.

“Sempre gostei de cantar. Acredito ter nascido com o dom da música. Mas, até ter me superado, muita história rolou. Na região em que nasci, em Mbanza Congo, valorizava-se, na altura, ofícios como a carpintaria e pedreira. Nunca se falava de música como actividade laboral. É neste contexto, de desvalorização da música enquanto trabalho, onde cresci.”

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Nao custa nada Obrigado a todos Nemo dat quod non habet

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Contudo, Kyaku, não optou pelas profissões tidas como óbvias. Aos 21 anos optou por candidatar-se ao seminário na Lunda Norte, mas a música caminhava lado a lado com a sua fé. “Cumpri uma longa viagem de Mbanza Congo para esta cidade com o objectivo de ser padre. Ao longo da minha formação no seminário, compunha músicas religiosas e acompanhava os cultos, tocando violão ou piano. Durante a minha permanência naquele local, fui igualmente regente e co-fundador do grupo coral da igreja. Feliz ou infelizmente, questões pessoais tiraram-me de lá antes mesmo de assumir um compromisso mais sério com a Igreja Católica.”

Em 2004, mudou-se para Luanda com a intenção de se candidatar ao curso de Psicologia da Faculdade de Letras da Universidade Agostinho Neto. “Durante esta fase, olhei para a música enquanto terapia. Nunca coloquei a formação em segundo plano, embora tenha sempre levado as duas coisas em paralelo.”

Acabada a formação, em 2010 foi convidado por amigos para cantar para uma selecção de futebol músicas do cancioneiro angolano. ”Foi uma forma de demonstrar a nossa cultura. Depois desta fase, o gestor deste espaço cultural convidou-me a cantar todas as sextas-feiras naquele local. Permaneci ali durante três anos e aproveitei este período para apresentar músicas escritas por mim.”

Lembro-me de ter ganho dez mil dólares

Nessa altura, o seu público considerava Kyaku como sendo apenas um entre muitos que tentava a sua sorte na música. “Recebia alguns elogios, mas via-se claramente que para eles não passava de mais um aventureiro. Era, se calhar, reflexo do que eu apresentava na altura. Porém, ao meio deste processo e durante uma sessão na União dos Escritores Angolanos, onde passei igualmente a apresentar-me, a professora Rosa Roque, o professor Jomo Fortunato e a escritora Kanguimbo Ananás admiraram o meu trabalho e manifestaram interesse em apoiar a minha carreira. Foi igualmente nesta fase em que passei mais frequentemente a disputar alguns concursos de música. Perdi em quase todos, infelizmente.”

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Nzambi kaka

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Mas em 2011 a sua sorte mudou no Concurso Nacional de Trovadores.Entre os melhores trovadores doo país, Kyaku Kyadaff foi considerado o melhor. ”Lembro-me de ter ganho dez mil dólares. O meu primeiro prémio ao fim de longos anos de muita luta no campo musical. Fiquei muito contente e as pessoas mais próximas também. Com isso, granjeei algum respeito que serviu de combustível para continuar a viagem. As minhas esperanças rejuvenesceram ainda mais quando, no Huambo, conquistei também, naquele ano, o primeiro lugar no concurso de Música Popular Angolana.”

O seu primeiro disco começou a ser editado com Adão Filipe mas a demora no acerto do lançamento levou-o a considerar outra propostas. “Esperei pela conclusão deste trabalho até 2013 e infelizmente não saía. Enquanto esperava por isso, fui ter com o produtor Chico Viegas, respondendo a um convite para participar no seu disco. No primeiro contacto que tive com o Chico apresentei a música “Entre Sete Sete Rosas” e ele gostou.” Começamos assim a trabalhar nela.”

O sucesso da música superou largamente as suas expectativas. “Nunca pensei que fosse chegar no que é. Lembro-me de ter participado numa actividade no Chá de Caxinde, em 2012, e, enquanto aguardava pela remuneração do contrato (50 mil kwanzas), pus-me a fazer uns acordes no violão. E a primeira frase que emiti ao som dos acordes que fazia no violão era “não quero saber da dor, de ilusões e paixões”…E o resto da história é isso que todos assistimos.

Tivemos de reeditar o disco urgentemente para responder à procura

Quando em Dezembro de 2014 esgotaram, num só dia, as 15 mil cópias que levou à Praça da Independência mas não tinha noção de que um maior número de pessoas lhe esperava no local. “Sabia que as pessoas aguardavam com certa ansiedade o meu disco, uns porque gostaram das músicas de promoção do disco, outros porque queriam provar até onde ia a minha capacidade criativa. Porém, não esperava que estes dois grupos fossem superar o número de discos que levamos para a Praça da Independência. Tivemos de reeditar o disco urgentemente para responder à procura. Não podemos deixar mal os que respeitam e admiram o nosso trabalho.”

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Deus esta aqui obrigado mozambique kanimambu

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Como referências artísticas na sua carreira, Kyaku nomeia vários músicos mas destaca Teta Lando e James Brown. “Ouvia muita música antiga, como a do cantor Cononô Molende – um artista angolano de raiz de quem nunca se fala, mas que compôs muita boa música.”

Não gosto de ser famoso mas sim do sucesso

No seu percurso revela que a fama não é o seu principal objectivo. “Não sinto receio algum em relação à carreira. Não gosto de ser famoso, mas sim do sucesso. A fama é um mero pormenor do sucesso. O amanhã não me incomoda. A falta de privacidade é para mim um grande problema.”

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Obrigado a todos Deus não Dorme

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Tenta preservar ao máximo a integridade da esposa e da filha chamado para si toda a projecção mediática. “Eu sou o músico e deve ser eu a suportar os encargos da carreira. Tenho recebido inúmeros convites de meios de comunicação social para participar, juntamente com a minha esposa, em programas de entretenimento, mas não aceito, pois julgo não ser o momento.”

Kyaku é também o autor da música “Paga que paga” cantado por Ary e que conquistou o público. “Ela deu alma à música “Paga que Paga”, com a fidelidade que eu e o Camané Silva imaginámos quando juntos escrevemos este tema.”

O seu sucesso já lhe permite viver da música e dar continuidade ao que sempre prioridade: a formação. “Eu vivo da música. Com o que ganho dela, sustento a minha família e pago a continuidade da minha formação. Estou a fazer mestrado em “Governação e Gestão Pública”, na Universidade Agostinho Neto e sustento isso com o que vem da música.”

Para aqueles que pretendem ingressar na carreira musical Kyaku só tem um conselho: “Que continuem a trabalhar arduamente, pois a sorte é uma ilusão. É preciso persistir e manter-se digno aos bons princípios da vida.

PERFIL

Kyaku Kyadaff é natural de Mbanza Congo, província do Zaire, a 29 de Junho de 1982. É formado em Psicologia pela Universidade Agostinho Neto (UAN).

Foi eleito em 2014 artista revelação do Top dos Mais Queridos, realizado em Malanje, bem como do Angola Music Awards. Venceu ainda as categorias Melhor Kizomba e Música do Ano, com “Entre 7 e 7 Rosas”.

É autor do tema “Paga que Paga”, que consagrou Ary como Artista Mais Querida e sucede-a na lista de mais representativos nas categorias do Top Rádio Luanda 2015 que se realizou em Janeiro.

Kyaku Kyadaff tem no mercado “Se Hungwile”, cuja publicação ocorreu em 2014 e numa única sessão viu esgotarem 15 mil cópias, editadas na primeira tiragem.

BANTUMEN com Angop