A 19 de Abril o jornal português Público escrevia que Angola “é dos países que mais consomem champanhe per capita e onde o lixo amontoado nas ruas convive com carros de luxo”.

Ao contrário do que é habitual, não vamos falar de carros de luxo e sim de lixo. Desde Abril que são vários os pontos da cidade onde transitar pode ser uma aventura, quer pelo cheiro nauseabundo quer pela quantidade de imundice que hoje tem lugar em diversos passeios e estradas da capital.

O Governador de Luanda, Graciano Francisco Domingos, há dois meses apresentou o novo modelo de limpeza urbana, que teria cinco operadoras principais além da Elisal, subsidiadas com verbas municipais, mas parece que pouco ou nada mudou entretanto.

A situação tem despertado alguns debates tanto na comunicação social como nas redes sociais. No Facebook surgiu uma campanha intitulada Campanha Selfie Lixo, que segundo um dos organizadores, este “é um problema de saúde pública e meio ambiente que tem impacto directo na vida de todos os cidadãos”, portanto, se as autoridades competentes não encontram um meio para resolver o problema, “esta pode ser uma forma de exigir que ao menos as comunidades se organizem” e tratem por exemplo de deitar o lixo em horários estipulados e em sacos de plástico devidamente acondicionados.

A ideia é simples: tirar uma selfie junto a um amontoado de lixo. O objectivo é único:  “A reflexão em volta do tema já é um ganho para as pessoas envolvidas. A mudança de consciência colectiva é um processo e este passo é uma etapa. O nosso objectivo será concretizado”, revela Harvey, um dos organizadores da campanha.

Magno Domingos, Massilon Chindombe, Pedro Malembe, Cláudio Silva, Pedro Bélgio, Mona Dya Kidi, Vanderson Tavares,  Isis Hembe e Harvey Madiba são os jovens por trás da ideia, “preocupados com a imagem da sua rua, do seu bairro, da sua província e, por fim, do país. Com esta campanha, cada cidadão estará a publicar através de fotografias as lixeiras que estão directamente ligadas às suas realidades, o que poderá mudar essa perspectiva.

Sensibilidade natural ninguém tem, ela forma-se consciente ou inconscientemente fruto de uma educação cultural, social e ambiental.”

Quando questionados sobre a responsabilidade civil dos angolanos nestas situações, Harvey indica que “devemos reconhecer a fraca educação ambiental nas famílias e até nas escolas, onde é quase inexistente. Também é verdade que existem outras questões que nos afligem e que remetem este problema para segundo plano, agravando a situação de tal modo que praticamente não existe cultura de recolha selectiva em Angola. Mas a situação tende a mudar pois o que hoje defendemos nem sempre aprendemos com nossos pais nem irmãos mais velhos”.

Resta esperar que a campanha chegue ao maior número de pessoas, sensibilize as comunidades e que em conjunto com as autoridades competentes se encontre uma solução rápida e eficaz para travar este problema que se arrasta há mais de três meses.