Quase todos já ouvimos falar dos Angola Music Awards, os prémios que pretendem dar reconhecimento ao trabalho desenvolvido anualmente por músicos e produtores a nível nacional. O mentor do projecto é Daniel Mendes, o homem que quer tornar a indústria musical lusófona numa estrutura organizada e eficiente. O caminho é único: levar o projecto a nível Palop e futuramente a nível lusófono. Uma das etapas já foi conseguida. A 4 de Julho, o evento chegou a São Tomé e Príncipe, com o apoio do Presidente da República José Manuel Pinto da Costa. Em 2016, Daniel quer ajudar a criar o evento de premiação na Guiné-Bissau.

Encontro entre Daniel Mendes e o Presidente de S. Tomé e Príncipe, Manuel Pinto da Costa Foto@Facebook AMA
Encontro entre Daniel Mendes e o Presidente de S. Tomé e Príncipe, Manuel Pinto da Costa
Foto@Facebook AMA

A música faz parte da composição do seu ADN. O pai era pastor e incutiu-lhe o gosto pelo gospel. Aos dez anos viajou para Portugal para estudar. Em conjunto com dois sobrinhos, no colégio, em Vila Nova de Gaia, Porto, decidiu criar um grupo para entreter os miúdos aos fins-de-semana e durante os acampamentos. Nascia assim os African Voices. Dos pequenos concertos, na igreja ou no colégio, ao convite para cantar com os Delfins (uma das maiores bandas pop-rock portuguesas, na altura), na Aula Magna (famosa sala de espectáculos de Lisboa), foi um passo.

Mas, com o passar do tempo, dividir-se entre o agenciamento do grupo e o microfone não foi fácil. Com o aumento da popularidade dos African Voices, Daniel decidiu que teria de dar prioridade ao management do grupo.

A certa altura, o seu caminho cruzou-se com os SSP, o quarteto que levou o hip-hop/R’nB angolano a ecoar nos vários países de língua oficial portuguesa. O sucesso do conjunto, além Angola, levou outros artistas a quererem trabalhar com Daniel, entre eles Bruna Tatiana.

Nos anos 2000, a ambição levou-lhe a querer fazer mais pela música nacional do que simplesmente gerir carreiras. Inspirado pelos norte-americanos BET Awards, Daniel começava a arquitectar os Angola Music Awards (AMA). A ideia não convenceu, inicialmente, a TPA mas agradou à RTP África, o canal português focado na actualidade africana. O coordenador de programas do canal luso, Nuno Sardinha, incentivou Daniel a prosseguir com o seu projecto e o angolano foi à procura da sua sorte batendo à porta de investidores para tirar do papel os Angola Music Awards.

Rosa Cruz e Silva entrega prémio a Elias Dia Kimuezo, na segunda edição dos AMA em 2014.
Rosa Cruz e Silva entrega prémio a Elias Dia Kimuezo, na segunda edição dos AMA em 2014.

Pelo caminho foram-se colocando vários obstáculos, entre eles, alguns entraves nas inscrições dos artistas da LS Republicano, segundo Daniel, incentivados pela própria produtora. Inicialmente, Daniel diz que não havia qualquer motivo para desconfiar de uma intenção deliberada em dificultar o trabalho dos AMA. “Os Angola Music Awards são um concurso completamente diferente dos outros [são apurados vencedores de variadas categorias musicais e em todas as províncias].

A ideia é valorizar o trabalho dos artistas e das suas produtoras. E eu continuo a ter uma boa relação com o Nino”, afirmou Daniel. Contudo, o produtor e agente acredita que mais tarde ou mais cedo, será dado o crédito merecido ao seu trabalho. Depois de Cabo Verde, Moçambique, Angola e São Tomé, teremos os Guiné Music Awards, que mais tarde vão levar os vencedores das categorias mais importantes aos Palop Music Awards. Mas a “missão” não se fica por aqui. Daniel quer criar uma verdadeira indústria musical a nível da lusofonia e garante que está bem próximo disso:  É um trabalho a longo prazo. Isto requer sempre algum tempo mas coisas já estão mais consolidadas.”

Escrevo aqui e ali. Gosto de estórias que marcam histórias. Sou de Portugal, com veia cabo-verdiana, dois pés em Angola e coração em França. Africanidade, estilos de vida e música são os temas que me prendem a atenção, mas gosto de me distrair com politiquices e bizarrices.