Foi e parecia que queríamos apenas dizer um singelo: ‘Oi, tudo bem?’. Mas não, não foi assim. Ficámos apenas a olhar um para o outro, com aquele sorriso bobo, mas que ambos conhecíamos bem, sabíamos que entre sorrisos e conselhos, crescemos como dois inquietos sobre isso de ter um amor de uma vida toda que dura “apenas” até à nossa finita e repentina eternidade.

Além daquele “toque” de olhar (isso mesmo, a visão soube a tacto), ele estava lá, o tempo inteiro, sabendo que atrasos acabam por ser forças surreais do quotidiano para nos perdermos entre a ansiedade e os receios de um amanhã.

Quando juntos, não prometi mais do que essas jornadas de aventura. Pois, é essencial termos a consciência de que tudo é tão transitório quanto um céu, num fim de tarde de futuro céu estrelado.
Então, naquela noite, apontei para o telefone e ele sem entender o puxou e olhou para mim com aquele rosto que palavras não traduzem. Não quis expor um sentimento escondido, uma saudade esquecida ou uma paixão viva. Nada disso. Quis apenas deixá-lo tentar traduzir como éramos, somos e nos tornámos.

A mensagem: ‘Então, eu estava aqui e me lembrei daquela sua fixação por

livros. Lembrei também da sua consciência de que algumas coisas fazem mal, mas que, mesmo assim, não vivemos sem elas. Olhando daqui tive uma impressão (leia-se certeza) de que nós temos uma paixão que é boa, que durou e hoje restam as histórias. E o melhor de tudo, é que sorrimos de cada momento nosso. E isso é bom. Então, um leve toque de mãos traduz exactamente isso: Saudade!
Pode até ser que quiséssemos nos encontrar novamente, mas deixo isso a cargo da vida. Ela, que sabe tão bem o que nos reserva em cada esquina, nessa cadeia de aprendizagens e amores.