Muitos artistas emergiram no Norte de África, na era moderna. Partilharam um compromisso com a inovação e envolveram-se com múltiplas técnicas, interesses em questões públicas, como explorar o processo de criação artístico por si. Segue o guia de 10 dos mais notáveis artistas do Norte de África que estão no activo de momento.

Mohamed Ben Soltane, Chiens de Barcelone | © the Artist
Mohamed Ben Soltane, Chiens de Barcelone | © the Artist

Mohamed Ben Soltane

Mohamed Ben Soltane está entre as figuras mais versáteis e importantes que surgiram na Tunísia, nos últimos anos. Ele é artista e Director Artístico do B’chira Art Center, uma das plataformas chave para a arte contemporânea na Tunísia, após a abertura seguida á Revolução de 2011. Ben Soltane trabalhou com todo o tipo de media, desde fotografia e instalações, aos desenhos animados, tipo cartoon. Os seus primeiros trabalhos incluíam fotografias das paredes da Tunísia, quando estas estavam cobertas com rabiscos e slogans. Mais recentemente ele expôs em Londres, Argélia e por diferentes cidades da Tunísia. A sua residência em Barcelona deu origem a cartoons como “Chiens be Barcelone”, uma fantasmagoria de figuras a passearem com os seus cães, todos imitando os movimentos uns dos outros, como autómatos.

Mona Marzouk
Mona Marzouk

Mona Marzouk 

A egípcia Mona Marzouk estudou no Institute of Fine Arts em Dusseldorf, Alemanha e trabalha a partir da Alexandria. Ela usa escultura, pintura, murais e desenhos em referencias arquitectónicas com castelos e catedrais espirais, imagens bem conhecidas como bandeiras nacionais, criaturas mitológicas e formas zoomórficas estranhas, no seu trabalho. Marzouk cria realidades alternativas, ficções semi-reconheciveis estranhas, com significados familiares induzidos e destorce, para que o observador repense os valores que, de outra forma, tem como garantidos. Na maioria dos seus trabalhos, Marzouk envolve-se em questões públicas como a poluição, desperdícios e aquecimento global. Os seus trabalhos têm sido exibidos em Turim, Nova Iorque, Cairo e no Baltic Centre for Contemporary Art em Newcastle, Inglaterra.

Faycal Baghriche, Mecca 2012 | © Taymour Grahne Gallery and the Artist
Faycal Baghriche, Mecca 2012 | © Taymour Grahne Gallery and the Artist

Faycal Baghriche

Faycal é Argelino e vive em Paris, tendo estudado em Nice e na National School of Arts de Paris. Ele usa a arte de performance, videos, instalações e fotografia nos seus trabalhos. Por norma ele usa situações, imagens ou cenários que são fáceis de reconhecer — o Metro de Paris, o céu e imagens da cultura árabe — ele joga com estas, interpondo uma perspectiva diferente ou modo de comportamento, por cima. No metro de Paris, por exemplo, ele recita as realizações do seu CV e tira uma imagem de Kaaba, em Meca e coloca no deserto. Ele tem exposto em Nova Iorque, Beijing, Argélia e no Museu de Arte Contemporânea de Houston, EUA.

Hassan Hajjaj, Kesh Angels | © Taymour Grahne Gallery and the Artist
Hassan Hajjaj, Kesh Angels | © Taymour Grahne Gallery and the Artist

Hassan Hajjaj

Hassan é conhecido com o ‘Andy Warhol de Marrakech’, o seu trabalho tem sido fortemente influenciado pela arte pop e pelas modas do reggae e hip-hop. Hajjaj nasceu em Marrakech, Marrocos e cresceu em Londres — as duas cidades onde ele ainda divide o seu tempo. Ele trabalha com todos os tipos de media, a partir de objectos encontrados e fotografia, em arte de performance. Ele é o autor do design do bar Andy Wahloo em Paris — o nome significa “Eu não tenho nada” — combinando ferramentas de bar com lâmpadas feitas de velhas latas e garrafas de coca-cola. O recente trabalho fotográfico de Hajjaj, ‘Kesh Angels’, compreende retratos de figuras vestindo roupas que ele desenhou com efeitos irónicos. Os seus trabalhos têm sido exibidos na Saatchi Gallery em Londres, o Museu Britânico e os Museus Victoria e Albert.

Mohamed Abla, Landscape | © the Artist
Mohamed Abla, Landscape | © the Artist

Mohamed Abla 

Nascido em 1953, no Egipto, Mohamed Abla estudou na Alexandria antes de viajar por 7 anos pela Europa. Os seus trabalhos têm incorporado gravuras, esculturas e  instalações, mas ele é mais conhecido pelas suas pinturas de paisagens e cenas abstratas da vida de Cairene. Nos anos mais recentes, a sua arte tem sido focada em documentar os acontecimentos da queda do regime de Mubarak. Abla é também o fundador do The Fayoum Art Centre, no Egipto e do primeiro Museu do Médio Oriente, dedicado a caricaturas. Os seus trabalhos estão expostos no Museu Britânico, em galerias no Cairo, por toda a Europa e tem ganho inúmeros prémios, incluindo o Grand Prize na Biennale Alexandria.

Mouna Karray, Noir | © El Marsa Galerie and the Artist
Mouna Karray, Noir | © El Marsa Galerie and the Artist

Mouna Karray 

A tunisina Mouna Karray trabalha com fotografia, vídeos e instalações sonoras, para jogar com questões metafísicas como identidade, parecença e diferença e memória. Nascida na cidade de Sfax, em 1970, Karray estudou primeiramente na Tunísia, depois em Tóquio e os seus trabalhos foram exibidos em galerias na Tunisia, Paris, Frankfurt, Bamako e República Democrática do Congo. O seu trabalho fotográfico ‘At The Risk Of Identity’, usa imagens gémeas dela e de outra mulher nas mesmas poses notáveis e com o mesmo conjunto de roupas, jogando com questões de identidade. O seu trabalho de 2011 ‘Noir’ direcciona limitação e aprisionamento e a questão de permanecer criativo quando se é da mesma forma, censurado. Na série de fotos a artista aparece envolta numa lençol branco, apenas com a sua mão visível clicando no botão de disparo da câmara, permanecendo com energia e criativa apesar das restrições.

All Omar Ermes © the Artist
All Omar Ermes

All Omar Ermes

Ermes pode reivindicar ser o artista contemporâneo mais recolhido que surgiu no mundo Islâmico, nos tempos modernos. Nascido na Líbia em 1945, Ermes é distinguido como artista, escritor e activista social. Estudou em Inglaterra, voltou para a Líbia e viveu em Londres desde 1981, onde é uma figura de liderança na promoção da cultura e herança muçulmana. A sua abordagem á arte é única, usando telas pintadas de caligrafia árabe. Por vezes ele usa uma única letra com um traço amplo, outras vezes uma frase tirada do Alcorão, uma citação de um Califa ou de poesia árabe clássica, numa questão moral. Os seus trabalhos encontram-se no Museu Britânico, no Ashmolean em Oxford, em Washington Smithsonian e nas coleções privadas do Principe de Gales e da família real de Oman e Dubai.

Mounir Fatmi, Casablanca Circles | ©Shoshana Wayne Gallery and the Artist
Mounir Fatmi, Casablanca Circles | ©Shoshana Wayne Gallery and the Artist

Munir Fatml 

Munir nasceu no Tânger em 1970 e agora trabalha em Paris. Ele usa todos os tipo de multimedia, incluindo vídeo e som, técnicas de colagem, escultura e instalações, com o intuito de examinar o mundo moderno. Ele escolhe símbolos e objectos carregados com história, religião e significados ideológicos, que estão agora a perder-se e trabalha com estes. A morte de consumo é um tropo comum no seu trabalho, com cassetes VHS antigas e muitas vezes com antenas de TV. Ele tem exposto em Dusseldorf, Geneva, Tate Modern em Londres e nos Biennials de Dakar, Venice, Houston e Auckland. Em 2012 o seu trabalho ‘Tecnologia’ um conjunto de versos relativos ao Alcorão com círculos inspirados por Durchamp’s rotorellefs, atingiu as manchetes após ter sido exibido em Toulouse. Tal levou a um revolta por parte de muçulmanos e a cidade viu um ajuste para censurar o trabalho.

Hazem Taha Hussein, Moving | © the Artist
Hazem Taha Hussein, Moving | © the Artist

Hazem Taha Hussein 

Hazem Taha Hussein vem de uma família de artistas. A sua mãe foi escultura e o seu pai pintor. Nasceu em 1961 e estudou no seu Egipto nativo e na Alemanha. O seu trabalho é particularmente notado pela originalidade e técnica que usa que combina influencias Orientais e Ocidentais. Hussein tira formas Islâmicas e incorpora formas e sobrepõe-as em imagens figurativas ou abstratas. Quando o observador se aproxima do trabalho, este nunca tem a certeza de onde focar, se no padrão sobreposto ou na figura por detrás. Os efeitos são como os de uma câmara fotográfica quando perde o foco e fica cada vez mais ténue, voltando a focar, com algo diferente a surgir no trabalho, desde que o espectador o veja. Hussein também detém posições importantes na Universidade Real de Bahrein e na Universidade de Helwan.

Simohammed Fettaka, The Greatest Show on Earth | © the Artist
Simohammed Fettaka, The Greatest Show on Earth | © the Artist

Simohammed Fettaka 

O trabalho de Fettaka nasceu em 1981, é tudo sobre a forma de consumir imagens e como elas se sentam na consciência colectiva e individual. Ao invés de um fundo artístico convencional, Fettaka estudou o processamento de sinal, filosofia e cinematografia e trabalha hoje em Tânger e Paris. Ele está fortemente envolvido com a Cinemateca de Tânger, aberta desde 2006, no histórico edifício do Cinema Rif, numa plataforma para filmes Árabes e filmes raramente vistos e fundou o festival anual de Cinema Nachia. Assim como fazer filmes, Fettaka usa colagens e instalações sonoras para trabalhar as noções de como apresentamos e tiramos imagens visuais.