Nasceu no Kwanza Norte, cidade do Cazengo, cresceu em Luanda, mas foi no Brasil onde se formou e criou o projecto que viria despertar o potencial “cor-de-rosa” da imprensa online em Angola. Sarchel Necesio é o protagonista da quarta edição da Capa BANTUMEN.

Quando miúdo, a felicidade era naturalmente consequência de pequenos prazeres. “Futebol com os amigos, ouvir rádio com o aparelho colado aos ouvidos, acordar de manhã cedo, ir ver os treinos da selecção ou do Petro, era a melhor coisa da vida”, diz o empreendedor. Mas com o tempo, a ambição que lhe é característica levou-o a sonhar com uma carreira de gestor e  rumou ao Brasil, onde se formou em Administração de Empresas, na Universidade do Sul de Santa Catarina.

Cerimônia de Formatura (Foto:Facebook Sarchel )
Cerimónia de Formatura (Foto:Facebook Sarchel )

Sarchel escolheu o país do outro lado do Atlântico por indicação familiar, disseram-lhe que “era um local bom para estudar”. Dos quatro anos que lá viveu, salienta que a vida para os imigrantes ou estudantes estrangeiros no Brasil é “facilitada em todos os sentidos, devido às suas políticas de alimentação e Educação”.

“Lufada de ar fresco no círculo dos media online”

Quase a terminar o curso, surge um imperativo: concretizar o que aprendeu na teoria tornando-se empreendedor. A Platina Line começa a ser projectada pela “necessidade de criar algo que desse vida ao mundo das celebridades em Angola”. Na altura, a nível internacaional, plataformas do género já faziam o buzz na Internet, mas por cá o foco dado ao Jet7 era um ciclo vicioso entre os poucos meios de comunicação que se interessavam pelo género de conteúdo de entretenimento. Sarchel decidia assim importar a mesma dinâmica de interacção entre público e famosos que já se usava lá fora e criou o que intitula de “a maior revista de entretenimento de Angola”.

Todo o processo inicial teve como principal barreira a distância. A prioridade sempre foi terminar os estudos para depois regressar ao país. “Não foi fácil, mas tive de criar políticas para que o crescimento da empresa não fosse abalado, principalmente a nível de gestão. Mas tive o apoio de pessoas visionárias como o Eddie Pipocas, em Portugal, e de outras pessoas em Angola”, referiu à BANTUMEN.

Moda Luanda (Foto:Facebook Sarchel )
Moda Luanda (Foto:Facebook Sarchel )

Em menos de nada, a Platina Line cobria eventos em Angola, Moçambique, Estados Unidos da América, Londres e onde quer que estivesse uma celebridade angolana, cuja estória ou fofoca interessasse contar.

Para quem se lembra, os beefs foram a catapulta para o sucesso da plataforma. Sarchel explica que foi apenas uma estratégia de marketing, de penetração no mercado. Era preciso pôr o nome do site na “boca do mundo”. E acabou por se tornar uma “lufada de ar fresco no círculo dos media online e os músicos, em particular, sentiram a necessidade de terem outras vias para divulgar, uma vez que, por exemplo, nas rádios era necessário pagar-se a promoção das músicas, como na TV acontecia o mesmo para os vídeos”.

“Falta tornar-me num milionário”

Gerir o projecto a mais de cinco mil quilómetros de distância e com um budget apertado foi difícil mas Sarchel não considera que tenha sido um empecilho. “Não me arrependo de nada que tenha feito. Sempre fui muito sonhador e ambicioso, queria chegar o mais longe possível. O topo é o meu  limite.”

Cerimónia de Casamento(Foto:Facebook Sarchel )

Hoje, com 31 anos e casado de fresco, quando questionado sobre o que lhe falta realizar a nível profissional a resposta é peremptória: “Sinto-me realizado a 90 por cento, mas falta tornar-me num milionário jovem e pelos meus próprios meios. Mas Sarchel não é impaciente, tudo “há-de acontecer no seu tempo”.

No ar, deixa o conselho a quem lhe quiser seguir as pisadas de empreendedor: “Sejam originais, peguem em exemplos de sucesso, não para copiarem mas para se inspirarem e fazerem aquilo que realmente gostam. Não desistir, sonhar bastante e darem datas a esses sonhos para que se tornem planos.”