Conheça alguns mitos e verdades sobre bebidas alcoólicas.

Mulheres grávidas não devem beber álcool.

VERDADE: o consumo excessivo e contínuo de álcool durante a gravidez pode ocasionar síndrome metabólica fetal (má formação no feto). “Não é certeza que a síndrome vá ocorrer, mas é um risco grande em qualquer estágio da gestação, em especial nos primeiros meses

Nas primeiras 12 semanas, as drogas e o álcool, de um modo geral, podem causar má formação no feto. Após esse período, o risco diminui, mas no futuro o bebê corre risco de desenvolver deficits de inteligência e de atenção, pois a bebida pode destruir seus neurônios. “Não existe nenhum estudo demonstrando a dose segura de álcool na gravidez”,

Comer antes de beber ajuda a retardar os efeitos do álcool.

VERDADE: a ingestão de alimentos retarda, temporariamente, o esvaziamento gástrico. “Como a absorção do álcool se dá principalmente no intestino, beber com o estômago cheio realmente retarda os efeitos do álcool”

Beber melhora o desempenho sexual.

MITO: o álcool é um depressor do sistema nervoso central, o que deixa a pessoa mais desinibida em um momento inicial e pode favorecer o encontro sexual. Se o consumo for excessivo, no entanto, o efeito pode ser contrário e a excitação dará lugar à sonolência. “A inibição do sistema nervoso central pode bloquear o orgasmo e o desejo.

No homem pode, inclusive, dificultar a erecção. “O álcool em excesso prejudica a circulação e a parte neurológica do indivíduo, podendo levá-lo a falhar na hora ‘H’ ou a ter um desempenho insatisfatório. O uso prolongado e constante prejudica homens e mulheres. “A testosterona, o estrogênio e a progesterona são metabolizados no fígado. E para metabolizar a bebida, o fígado produz maior quantidade de uma enzima que é a mesma que causa a destruição dos desses hormônios sexuais”

Se tiver insónia, tomar uma dose de bebida ajudará a dormir. 

VERDADE: Quando a pessoa está tensa, uma dose única de bebida alcoólica (uma taça de vinho, um copo de cerveja ou uma dose de uísque) pode levar a um relaxamento que ajudará a dormir. Mas antes de lançar mão desse artifício, é preciso saber o que pode estar ocasionando o mal. “É preciso tratar a insônia como um problema médico. Avaliar o que está acontecendo, se é apenas uma situação circunstancial ou se tem alguma outra causa”. Ele lembra que quando em excesso, no entanto, a bebida pode ter o efeito contrário: perturbar o sono e agravar o problema. “O álcool afeta o funcionamento cerebral e o metabolismo dos neurônios, podendo levar a uma noite mal dormida”,

Se tiver insônia, tomar uma dose de bebida ajudará a dormir. VERDADE.

Embriaguez pode resultar em perda de memória.

VERDADE: o álcool é um depressor das células nervosas e, em doses altas, pode provocar perturbação no nível de consciência do indivíduo, gerando dificuldade no armazenamento de informações e deficit na capacidade de apreender dados naquele momento. Se constantes, as bebedeiras podem render problemas mais graves e duradouros, como dificuldade para gravar fatos na memória a longo prazo. “O alcoolismo crônico ou abuso de álcool constante são deletérios e levam à morte celular. Eles são a causa mais comum de deficit cognitivo e perda de função cognitiva”,

Cerveja é menos nociva que outros tipos de bebida.

MITO: apesar de ter um grau menor de álcool, a cerveja pode ser tão ou mais nociva para o organismo do que outras bebidas, se consumida em doses altas. “É a quantidade ingerida que será nociva. Por isso, é importante que se conheça a graduação alcoólica das bebidas”.

Ele ensina que as cervejas têm, em média, 6% de álcool, os vinhos, em torno de 12%, o uísque, o conhaque e algumas cachaças, em torno de 39%; porém há cachaças em que a graduação alcoólica chega a 50%. b

Sempre quem bebe cerveja (e outras bebidas) apenas nos fins de semana pode se considerar livre dos problemas causados pelo álcool. “Há uma intoxicação cardiológica e do fígado por conta de todo esse álcool ingerido de uma só vez. E leva-se alguns dias para o organismo se recuperar”,

Os efeitos da bebida alcoólica no corpo do idoso são iguais aos que ocorrem no do jovem. 

MITO: o jovem tem um organismo mais ativo e forte, então sofre menos os efeitos do álcool do que os mais velhos, que têm o corpo mais debilitado. “A idade faz com que se tenha uma tolerância menor e que se sinta mais os efeitos deletérios do álcool. O álcool também pode prejudicar outras condições. “Os idosos são mais vulneráveis aos efeitos das bebidas, pois, em geral, já possuem doenças como pressão alta e diabetes.

Não há problema em tomar álcool durante uma refeição.

VERDADE: desde que se beba de maneira comedida, como uma taça de vinho, um copo de cerveja ou uma taça de chope, por exemplo. É preciso verificar, ainda, se a pessoa não possui algum mal que impeça o consumo da bebida. “Quem tem doença pancreática ou neurológica e toma remédios para tratar esses males deve evitar o consumo em qualquer ocasião, pois o remédio exacerba o efeito do álcool e vice-versa.

Tomar comprimidos efervescentes evita o mal-estar e a ressaca.

VERDADE: Pode evitar, desde que o comprimido contenha algum anti-inflamatório, como o ácido acetilsalicílico. “Ele pode aliviar o mal-estar e a ressaca, mas isso vai depender da sensibilidade da pessoa à bebida e do quanto ela bebeu. O ideal é sempre ingerir os comprimidos na hora da ressaca, e não antes de beber, como muitos costumam fazer. O médico alerta que esses medicamentos não são indicados para pessoas com gastrite, úlcera e problemas intestinais, pois podem agravar esses males

Álcool também prejudica os reflexos. 

VERDADE: bebidas alcoólicas, quando ingeridas em grandes quantidades, causam alterações no cérebro que levam a perda do senso de organização, falta de coordenação dos movimentos, perturbação completa do sistema nervoso, motor e cognitivo. “A pessoa embriagada não consegue reagir no devido tempo aos estímulos do dia a dia, tem dificuldade para dirigir, realizar tarefas e trabalhar. Mesmo em doses bem pequenas, o álcool já é capaz de prejudicar o bom senso de uma pessoa e influenciar no autocontrole. “Uma mera dose já representa um risco, que varia de pessoa para pessoa. A bebida deixa o indivíduo mais desinibido e relaxado, e também sem limites e sem noção do perigo”, destaca. Por isso, se beber, não dirija

Café ajuda a curar a embriaguez.

MITO: o café tem uma dose muito pequena de cafeína para ser capaz de neutralizar a ação do álcool, que nesse estágio já atua no organismo como um todo. “Ele não deve ser usado como antídoto”, segundo o neurologista José Mauro Braz de Lima, coordenador do programa de saúde de problemas com álcool e drogas da Cruz Vermelha brasileira e membro da Academia Brasileira de Neurologia (ABN). Uma dose de café, no entanto, não prejudica e pode ajudar a diminuir sutilmente os efeitos do álcool, por sua ação energética. “Ele é rico em substâncias que excitam o cérebro. Desta forma, é possível que ajude a diminuir o efeito depressivo central produzido pelo álcool”, diz o gastroenterologista Laércio Tenório Ribeiro, membro da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG). Porém, o ideal, de acordo com o gastroenterologista Ricardo Barbuti, médico-assistente do Hospital das Clínicas de São Paulo, é deixar a pessoa embriagada dormir até que os efeitos da bebedeira passem

Bebidas gasosas e álcool pode ser uma combinação perigosa. 

MITO: não há risco direto de se beber álcool junto com um refrigerante, por exemplo, mas, por tornar a bebida mais doce e leve, essa combinação acaba levando um indivíduo a beber mais, sem perceber. “A pessoa acha que não está bebendo nada e quando nota já está embriagada”

Misturar energéticos com bebidas alcoólicas pode fazer mal. 

VERDADE: em excesso, a combinação pode levar ao aumento da pressão arterial, palpitações, arritmias cardíacas e, em casos extremos, ao AVC e morte súbita. “Os energéticos escondem os sintomas de embriaguez, pois são estimulantes e contêm cafeína e taurina, que mascaram os efeitos do álcool que ocorrem depois da fase inicial de euforia, como sonolência e relaxamento. Os energéticos permitem que a pessoa beba por mais tempo e em maior quantidade e, portanto, deixam-na sujeita a embriaguez e a todos os riscos que isso acarreta, como redução de reflexos, riscos de quedas e acidentes, risco de dependência e até de morte. Além de cafeína, os energéticos são ricos em taurina, que aumenta a resistência física, o que eleva o risco de uma pessoa embriagada não notar seu estado e querer dirigir

Uma pessoa acima do peso sente mais os efeitos do álcool. 

VERDADE: o álcool é lipossolúvel, ou seja, se dilui em gordura. Uma pessoa acima do peso tem maior quantidade de massa gorda e, dessa forma, o álcool se distribui em maior quantidade no seu organismo. “Nessas pessoas, o efeito do álcool se expressa mais rapidamente e intensamente. Por outro lado, a pessoa obesa, em geral, come mais e pode ser mais comum que esteja com o estômago cheio antes de beber, o que ameniza os efeitos da bebida. “Isso faz com que a absorção do álcool seja mais lenta, porque o estômago vai demorar mais pra esvaziar”

Misturar bebidas diferentes pode levar à embriaguez mais rapidamente. 

MITO: o que faz uma pessoa ficar embriagada ou não é a quantidade total de álcool que ingere, e não o tipo de bebida. Por outro lado, a mistura de bebidas fermentadas e destiladas, por exemplo, pode fazer mal aos mais sensíveis. “Cada bebida tem as suas sustâncias paralelas. Como o organismo reagirá a elas varia de pessoa para pessoa. Para alguns, ingerir diferentes bebidas pode atrapalhar a digestão, para outras, não. Misturar bebidas simples, como a cerveja, com outras mais complexas, pode também potencializar a ressaca do dia seguinte. “Quanto mais sofisticada (colorida, envelhecida, com aroma) e fermentada for a bebida, maior a chance de dar ressaca”,

Beber uma taça de vinho por dia faz bem ao coração. 

PARCIALMENTE VERDADE: essa é uma questão polêmica, que divide opiniões. Para alguns médicos, a ingestão de qualquer quantidade de álcool é maléfica. “Devemos encarar o álcool como uma droga. Foi criado um mito de que o uso de álcool em pequenas quantidades diminuiria o risco de doenças cardiovasculares. No entanto, não há evidência científica adequada que comprove isso”. Outros profissionais, no entanto, apontam que já há estudos que comprovem o bem que o álcool pode fazer ao organismo, quando em pequenas doses. “Há mais de 20 anos existem estudos que demonstram que substâncias presentes principalmente nos vinhos europeus são antioxidantes e ajudam a proteger o coração. Ele faz questão de frisar que, no entanto, não se pode tratar essas bebidas como remédio. “Pequenas quantidades de álcool têm efeitos positivos para algumas enzimas do corpo humano. Mas quando em excesso, o álcool tem o efeito contrário e pode prejudicar a saúde”. Para não ultrapassar o limite aceitável, recomenda-se o meio termo. “Em um dia se toma vinho e no outro, suco de uva, para evitar o estímulo ao alcoolismo, doença que tem crescido nos últimos anos”.

Este é um artigo Néctar dos Deuses