Henrique Luaty da Silva Beirão nasceu em Luanda a 19 de Novembro de 1981. 6 anos e oito dias depois de Agostinho Neto proclamar “diante de África e do Mundo a Independência de Angola”.

Artisticamente usa vários nomes. Fiquemo-nos por Brigadeiro Mata Frakuzx. O outro mais conhecido é Ikonoklasta.

Filho de “boas famílias” – o pai era presidente da Fundação de José Eduardo dos Santos e próximo do chefe de Estado -, nega a afiliação partidária hereditária. Tem as suas ideias e ideais próprios e usa a música para os difundir. Brigadeiro Mata Frakuzx é conhecido pela sua musicalidade “fora da caixa” que vai buscar impressões aos ritmos nacionais e que cospe palavras de ordem contra as injustiças sociais que se entranharam no dia-a-dia do cidadão comum.

É um Kamikaze angolano armado de palavras. “Esgotou-se o tempo e a paciência, passividade e a benevolência. Falo em nome de um povo exausto de subserviências. Estamos fartos da tuas incoerências e ingerências.” Dispara em “Sou Um Kamikaze Angolano e Esta é a Minha Missão.”

Começou a “repar” em 1994, mas não tem nenhum álbum próprio  lançado. Em entrevista ao H2T em Portugal, justifica que o mercado para a lusofonia não é atractivo e por isso preferiu produzir e disponibilizar as suas criações online.

Em 2002, junta-se a Leonardo Wawuti, Keita Mayanda e Condutor. Nascia o projecto Ngonguenha, que deu origem ao álbum Ngonguenhação, da produtora Matarrôa. Em 2012, o grupo lança Nós os do Conjunto. Era o segundo e último disco do Ngonguenha. Online surgiu o mptr3chos com versões inéditas do grupo, algumas músicas do Nós os do Conjunto com versos que foram excluídos da versão final que chegou às lojas, outras do Ngonguenhação, com remisturas feitas por malta por quem o artista admira.

Em 2014, sentiu necessidade de explicar a inactividade quase total da sua criatividade artística. “A minha vida tornou-se uma montanha russa de peripécias e emoções que continuam por ser digeridas e interpretadas para que me possam tornar mais maduro, mais perspicaz e mais preparado para o que me resta de vida. É assim com toda a gente e esse pretexto por si só não deveria ser (nem é) suficiente para justificar a minha falta de vontade de criar, de compor, de cantar, de partilhar com esse mundo de desconhecidos os meus desvarios, momentos de loucura, as minhas angústias, basicamente, fazer o que adoro e que me faz sentir mais livre nesta vida: música!“

Entretanto, por volta de 2004, nascia o “amor à primeira vista” por Pedro Coquenão. Juntos fizeram É Dreda Ser Angolano feito pela rádio Fazuma. Juntos fizeram “Cuka”, uma sátira à cerveja nacional numa analogia a um elixir da felicidade para o povo, de uma “nação embriagada, chupa kimbombo, come ginguba”.

 

Mais recentemente, gravou “A Bala Dói”, com McK, também conhecido pelas suas letras de intervenção social.

Sem grandes novidades a nível artístico, Mata Frakuz debatia-se, até 20 de Junho de 2015, contra a desigualdade social. Detido desde então, cumpre esta sexta-feira, 23, o 32.º dia de greve de fome em protesto contra uma alegada prisão abusiva. A partir de dia 16 de Novembro será julgado, juntamente com os seus 16 companheiros de causa (apenas dois estão em liberdade, Laurinda Gonçalves e Rosa Conde).

Na antecipação do que vai acontecer nos próximos dias, uns chamam-lhe de mártir, outros de suicida. Independentemente do julgamento e ideologia de cada um, há uma palavra que acorda consenso entre uns e outros: pertinácia. O Brigadeiro Mata Frakuzx é obstinado e os seus ideais, certos ou errados, vão acompanhá-lo até ao fim, seja amanhã ou daqui a 40 anos, quando Angola voltar a escrever sobre um 20 de Junho de 2015.

Hoje, o seu médico deixou-lhe um aviso: “A partir de agora já entraste numa fase de perigoso namoro com a linha que marca a fronteira entre estabilidade aparente e o ponto de não retorno.
Posso sair daqui e assim que fechar a porta atrás de mim, entrares em crise de falência de algum orgão.”