Rui Silva é o CEO da marca nacional RBS e é o destaque de hoje na famosa publicação Forbes. O malawiano, filho de pai português e mãe moçambicana, vive em Angola há dez anos e explicou as principais dificuldades que enfrentou no desenvolvimento do seu negócio que hoje conseguiu expandir para outras capitais africanas.

O título revela-nos a entrevista com o “retalho fashion angolano pronto para conquistar a Europa”. Rui mudou-se para Angola, com 28, atrás de uma oferta de emprego. Pelo caminho encontrou uma oportunidade de negócio ainda mal explorada. Trouxe para o país a Zara, a marca de luxo da classe média. Mas era necessário adaptar os tamanhos das peças que eram destinados a corpos europeus. “Os tamanhos das roupas eram um problema sério. Temos de perceber que o corpo africano é diferente do europeu. Tive um grande feedback em relação a isso e foi aí que decidi tornar a RBS numa marca angolana que tivesse em conta as necessidades do seu consumidor. Ouvi cuidadosamente o que os consumidores diziam estar à procura em relação a tamanhos, cor e fabricação e comecei a desenvolver a marca com uma equipa em Portugal”, explicou o empresário à publicação.

Com sete lojas em Angola (Luanda e Benguela), a marca já chegou à Namíbia, Gana, Moçambique e Ilhas Maurício, através de acordos de franchising. Actualmente decorrem negociações para abrir mais uma loja no Congo, em Kinshasa.

Com a sua própria marca a firmar-se cada vez mais, a venda de peças de roupa Zara já só ocupa 2% do stock. Questionado sobre a possibilidade de abrir uma loja Zara em Angola, Rui Silva diz que mesmo que tivesse interesse um grande grupo no Dubai já comprou a licença. No total, trabalha com cerca de 100 pessoas entre Angola e Portugal. Sempre focado na expansão, o seu objectivo é chegar à Europa, onde a presença angolana é uma constante. Em Lisboa já se pode encontrar a marca, através de um conceito de vendas multi-marcas, além de ter estado presente na última edição do Vogue Fashion Night Out. A abertura da primeira loja na capital portuguesa está marcada para o próximo ano. Espanha (onde também já tem presença através do conceito multi-marcas) e Itália também estão no mapa.

Apesar da boa maré da RBS, a crise cambial, consequência da queda do preço do petróleo é um entrave ao crescimento do negócio. Conseguem vender por norma cerca de 20 mil peças de roupa num mês e todos os meses há uma nova colecção nas lojas. A marca vende-se bem , o problema centra-se na dificuldade em trocar kwanzas para dólares ou euros, que tanto tem afligido este como outros empresários em Angola.

Independentemente dos obstáculos, há uma conquista da qual Rui orgulha-se especialmente: “Mudámos a mentalidade das pessoas. Muitas lojas em Angola inflacionam os preços, vendendo um artigo por 100 USD que nós vendemos a 50 USD. O bom é que também atraímos aquele que podemos considerar de classe média, que ganha 400 USD por mês, trabalhando num banco. E ao mesmo tempo também atraímos aquele que trabalha para uma “gigante” dos petróleos, que está à procura de um bom blazer”, disse Rui citado pela revista.