Em Accra, capital do Gana, há um grupo de jovens que tem desenvolvido um novo estilo que está a mudar mentalidades e a desafiar a noção “africanidade”.

Numa fantástica reportagem da Reuters, agência de notícias norte-americana, é retratada a essência, paixão, design gráfico, a música e, acima de tudo, as roupas deste grupo vanguardista.

ACCRA, GANA. REUTERS : FRANCIS KOKOROKO
ACCRA, GANA. REUTERS : FRANCIS KOKOROKO

Na cidade onde a maioria dos homens usam fatos conservadores e ocidentais ou camisas feitas com tecidos tradicionais, o grupo que apenas conhecido como avant-garde  (vanguardista), destaca-se pela ousadia da sua indumentária, que publicitam através de selfies nas redes sociais, e que tem chegado muito além Accra.

Nas imagens, há Dj Evans Mireku Kissi que, enquanto mistura a música, apresenta-se com de colete, camisa com as mangas dobradas, gravata, calções meia-coxa e… uma touca. Tudo isto num ambiente de ferro-velho. É a mistura da realidade local a um mundo eclético com cheiro a vintage numa onda de loucura constrangedora. 

“As pessoas dizem ‘o que é isso que tens vestido?” As pessoas têm um jeito engraçado de olhar para as minhas roupas”, disse Kissi, também conhecido como Steloo, citado pela Reuters.

“Mas eu gosto do facto de estar a criar esse drama na mente das pessoas”, acrescentou.

Os homens e as mulheres do grupo dizem que querem desafiar as noções tradicionais de moda africana, usando plataformas de redes social para partilhar suas roupas criativas.

ACCRA, GANA. REUTERS : FRANCIS KOKOROKO
ACCRA, GANA. REUTERS : FRANCIS KOKOROKO

Com idades entre 19 e 38, eles misturam blazers personalizados, T-shirts estampadas, vestidos vintage,lenços. Conjuntos vistos, por exemplo em qualquer rua de Londres, mas com um toque excêntrico ímpar.

Kissi pode ser visto regularmente posando para photoshoots em toda a cidade com roupas coloridas e geralmente com um acessório como óculos de sol ou um pano.

O dj e os amigos reúnem-se regularmente num estúdio de arte para trocar ideias. Dizem que não têm modelos, mas que olham para os “sapeurs de Kinshasa” [aqui pode ler sobre os dandys de Brazzaville], que fazem buzz pela forma como redefeniram a arte de bem vestir dos tempos do Zaire de Mobutu Sese Seko.

Mas este estilo único também atraiu críticas dos habitantes mais conservadores.

ACCRA, GANA. REUTERS : FRANCIS KOKOROKO
ACCRA, GANA. REUTERS : FRANCIS KOKOROKO

“Disseram-me que assim não iria encontrar um marido e que seria de nomes no autocarro”, disse a artista Sena Ahadji.

O apoio de outros membros do grupo ajudou-a superar os comentários negativos. “Sou africana. O tecido não me faz africana. O meu cabelo não me faz africana, mas eu sei quem eu sou.”