Estás a ver um bolo de ginguba acabado de sair do forno, quentinho, fofinho e docinho? Agora, imagina uma pantera negra, esguia, que te olha como se fosses o jantar e que, mesmo no mais pequeno movimento, balança suavemente cada curva do corpo, como quem transpira sensualidade? Mistura tudo e o resultado é Serafina Sanches, a bailarina e cantora que aspira a conquistar o mundo do cinema.
1Entrevistámo-la num estúdio em Luanda, onde foi realizada a sessão fotográfica e as gravações para o vídeo desta oitava edição da Capa BANTUMEN. Num dia cinzento e chuvoso, aliado a um trânsito caótico, Serafina aparece e ilumina o ambiente de sorriso rasgado. Adora ver desenhos animados, não gosta de gindungo, a casa dos pais é o seu porto seguro mas vive com a amiga e colega Cilana Manjenje. Prefere telefonar a enviar mensagens, dispensa a lingerie, é uma romântica que ferve na paixão e perde a cabeça com fãs abusados.

Serafina nasceu na Ingombota, em Luanda, e foi de lá, mais precisamente da Maianga, que saiu aos 20 anos para se juntar a Cilana. Quando miúda já sonhava ser bailarina e em 2008 o sonho realizou-se. Venceu o “Bounce”, e voou para Lisboa com a amiga e outros dois vencedores para fazerem um curso de dança. Nos entretantos, o grupo acrescentou as suas próprias canções à dança e hoje são donas de hits como “Scalinguindon” e “Mais Açucar”.

Foto: Wilson Photographer Mock up: Décio Malta
Foto: Wilson Photographer
Mock up: Décio Malta

Se não tivesse enveredado pelos caminhos do showbizz, “provavelmente estaria a trabalhar com crianças”. Porém, “não me vejo a fazer outra coisa em que a arte não esteja envolvida”, disse-nos. E por isso, anda a estudar para chegar à 7ª, o cinema. Está no terceiro ano do curso de Cinema e Televisão. “Quero ser uma cineasta reconhecida”, fantasia.

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No caminho da fama, revelou-nos que perde a cabeça quando se depara com fãs que ultrapassam o limite do respeito. “Há uns que exageram um pouco. Que são mais pelo corpo. Atrevidos e que dizem coisas que irritam uma pessoa, mas tento manter a calma.” Mas nem só de fãs vive a carreira de um artista e Serafina bem o sabe. No Carnaval deste ano, “íamos para a Baía e a caminho do carro fomos abordadas por alguém. Choveram galhetas! Eu apanhei uma… como se uma pessoa tivesse pegado numa pedra e me tivesse dado com ela. Esse foi um momento que não vou esquecer. Não sei o porquê. Foi só um fã frustrado.”

Há ainda aqueles que também desejam singrar no mundo da música e que tentam a sua sorte com Serafina. De tom dócil garante: “Vou ajudar sempre, porque houve alguém que acreditou no meu sonho, que foi o Matias Damásio. Portanto, naquilo que eu puder ajudar, vou estar sempre à disposição para o fazer.”

Entrevista: Vanessa Sanches/Silma da Costa 
Imagens: Wilson Photographer 
Mock up e edição de vídeo: Décio Malta