“Não há dúvida alguma de que o nosso futebol não está bem, toda gente apregoa que vamos renovar vamos fazer escolas diz-se um monte de coisas, mas no fundo não se faz nada.” Esta frase poderia ter sido proferida por qualquer um, basta uma pequena sondagem na rua e ficamos com a certeza de que o nosso desporto rei não anda bem, mas foi proferida pelo antigo presidente da FAF, Armando Machado, em entrevista ao Jornal dos Desportos.

Numa tentativa de “abrir os olhos” de quem tem nas mãos as rédeas do futebol nacional, o ex-dirigente continuou as críticas: “Contam-se pelos dedos os clubes que fazem formação, não temos um campeonato regular de Sub-15, Sub-17 e Sub-20, conforme fazíamos há vinte e poucos anos atrás.”

Armando Machado, ex-presidente da Federação Angolana de Futebol
Armando Machado, ex-presidente da Federação Angolana de Futebol

Quanto às posições “estáticas” de alguns jogadores, que se baseiam mais pela popularidade ou favoritismos do que pelas capacidades de jogo, Machado relembra um jogo em que teve de optar pelos sub-20 para substituir vários jogadores influentes da selecção.

“Houve uma altura em que eu precisava de formar uma selecção, para ir jogar ao Togo. Treze jogadores influentes da seleção nacional, não aceitaram fazer parte da mesma, caso não se resolvesse alguns pendentes em atraso da anterior direcção”. “Fiquei paralisado com a posição deles, mas falei com o Arlindo Leitão na qualidade de treinador principal, para recorrer aos sub-20 e formar uma seleção urgentemente. Fomos ao Togo, e ganhámos por uma bola a zero, com jogadores totalmente jovens”, disse ao JD.

Sobre o Campeonato das Nações Africanas (CHAN), a acontecer desde sábado no Rwanda, Armando Machado, que é presidente honorário da FAF, recomenda à selecção “manter forte espírito ganhador”. O jogo com os Camarões já passou e virão outros, mas lembra que “antigamente, só o nome Camarões já ganhava jogos. O Congo Democrático, pelo que sei está bem, e pode criar-nos alguns problemas”.