Apesar de ter começado pelo auto-retrato, aquilo a que hoje chamamos de selfie, fotografar pessoas é o principal fascínio de Janeth Tavares.

Entusiasta, carismática, ligada à moda e enraizada à responsabilidade social, a fotógrafa, de 27 anos, de origem cabo-verdiana e residente na localidade do Barreiro, Portugal, esteve à conversa com a BANTUMEN.

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Lisboa corre-lhe nas veias e nunca pisou os pés em África, mas é nos projectos sociais e na convivência com a família onde nasce toda “africanidade” que nela existe.

O amor pelas selfies transformou-se em amor pela fotografia quando teve um dos seus auto-retratos entre as 100 melhores fotos de Portugal numa edição do Metro Photo Challenge, em 2009. Sublinhemos que na altura usava um modesto Nokia N5.

Gosta de fotografar pessoas como seres únicos, inigualáveis. “Fotografá-las permite conhecê-las melhor e fazer parte da sua história e fazer parte das mesmas deixando um registo aprendo bastante, desenvolvo o sentido de partilha.”

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Um dos lugares que mais gostou de fotografar foi a cidade norte-americana de Nova Iorque pela riqueza cultural e diversidade que por lá cruzou. “Consegui me sentir pequena, literalmente, pelas estruturas enormes, e ali fiz a analogia com a nossa insignificância e ao mesmo tempo com a nossa enorme capacidade de criação“.

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Apesar de ganhar a vida a fotografar eventos como desfiles, concertos, casamentos, baptizados, manifestações e outras acções sociais, tem uma disposição sem igual para ajudar o próximo e já trabalhou algumas vezes com a embaixadora de Cabo Verde em Portugal, Madalena Neves, em projectos em prol das comunidades daquele país. Sem nunca largar a sua câmara, fez parte de duas edições da revista Louis Braille, uma revista para cegos e amblíopes, já foi Relações Públicas numa ‘maratona’ de visitas e encontros com deficientes visuais, sob os temas Sexualidade e Desporto entre e para Pessoas Cegas. Projectos de que se orgulha e frisa: “Foi altamente construtivo.”

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É fotógrafa do festival Conexão Lusófona e já fotografou várias pessoas de renome no panorama musical e de empreendedorimo social.

Durante a nossa conversa, num dos cafés da belíssima cidade de Lisboa, falou-nos do seu mais recente projecto: “When Love is Amor”. Uma iniciativa que “surge na tentativa de retratar com imagens o que para a fotógrafa quer dizer amor, nas suas variadas formas ou manifestações”, explica Janeth.

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“Espero criar uma vaga de partilha de imagens, tiradas por mim ou por outras pessoas, intituladas de ‘When Love is Amor’ e promover iniciativas de serviço social e proximidade entre pessoas, por exemplo.”

Entre palavras e passeatas, Janeth levou-nos a conhecer algumas das ruas mais movimentas da capital portuguesa, entre elas a Moraria, um dos bairros lusos com a maior taxa de emigração de pessoas com origem do norte de África, e que está retratado na galeria de fotos acima.