Embora pouco conhecida pela maioria, a literatura africana é vasta, com escritores que nas suas obras fazem questão de evidenciar as suas raízes através da cultura ou questões políticas e sociais. Aqui ficam cinco nomes que não te vais arrepender de

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J. M. Coetzee foi Nobel da Literatura em 2003 e é considerado um dos melhores escritores sul-africanos. Com dois bacharelatos, um em Literatura Inglesa e outro em Matemática, o escritor é romancista, ensaísta, crítico literário, linguista e professor de literatura na cidade do Cabo. Viveu quatro anos em Inglaterra exercendo a função de programador de computador e fazendo pesquisas para uma tese sobre o ficcionista inglês Ford Madox.

Em 1969 escreveu a sua primeira obra, Terra de Sombras, publicada em 1974. Neste romance, faz uma analogia entre os invasores norte-americanos no Vietname e os primeiros colonizadores na África do Sul. Os seus romances têm um tom íntimo sobre personagens essencialmente humanas, tentando viver sob as determinações perversas de uma autoridade constituída. O seu livro mais recente é A infância de Jesus e foi publicado em 2013. Na obra, Jesus pode ser um menino comum da actualidade, embora o período histórico não esteja bem definido.

Role Soyinka nasceu em 1934, na Nigéria, e venceu o Nobel da Literatura em 1986. Eterno apaixonado pelo teatro, chegou a levar aos palcos algumas peças de sua autoria.

Estudou na Universidade de Leeds e foi professor no Churchill College de Cambridge, também no Reino Unido. O seu livro The Mand Died, de 1972, que conta a sua experiência durante um cárcere, foi proibido na Nigéria. Publicou obras como Jero’s Metamorphosis (1972) e Death And The King’s Horsemen (1975).

Na Nigéria, Soyinka ocupar o cargo de professor catedrático de inglês na Universidade de Ife, mas em 1994, teve que deixar o país depois de participar numa marcha de protesto contra o ditador Sani Abacha, retornando em 1998 após a morte de Abacha.

Em 2001, publicou King Baabu, uma paródia sobre ditadores africanos. Soyinca foi incansável em protestar em suas obras contra a corrupção e a sede de poder em no seu país. Dizem que muitos dos seus trabalhos tratam do que ele chama de “the oppressive boot and the irrelevance of the colour of the foot that wears it”, ou seja: a bota opressiva e a irrelevância da cor do pé que a calça.

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Mia Couto é um nome bastante familiar à comunidade lusófona. Nasceu António Emílio Leite Couto, em Julho de 1955, em Moçambique. Os seus livros são publicados em mais de 22 países e traduzidos para alemão, francês, inglês, castelhano, citação, e italiano.

As raízes moçambicanas e o léxico de várias regiões do país são pontos assentes nas suas obras. Tentou ingressar na área da medicina, mas o jornalismo chamava por si e começou a exercer a profissão a partir de 1974. Foi director da Agência de Informação de Moçambique, cargo de abandonou para estudar biologia. Raiz de Orvalho, livro de poesia, é a sua primeira obra publicada, em 1983. Terra Sonâmbula foi considerado um dos dez melhores livros africanos do século XX.

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Chinua Achebe é também nigeriano, nasceu em 1930 e é um romancista e poeta. No seu currículo conta com cerca de 30 livros, entre romances, contos, ensaios e poesia. Fala da desdém com que o ocidente fala da cultura e civilização africana, dos efeitos da colonização do continente pelos europeus, como também critica abertamente a política nigeriana. O Mundo se Despedaça é a sua obra mais conhecida, foi publicada em 1958, quando tinha 28 anos, e foi traduzida em 50 línguas. Embora escreva em inglês, Achebe procura sempre usar vocábulos e narrativas da região onde nasceu.

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Ondjaki é o angolano escritor e poeta que faz adultos passearem pela Luanda da sua infância. Nasceu em 1977, é licenciado em Sociologia, em Lisboa, e é também artista plástico e roteirista. Escreve contos e romances, muitos infanto-juvenis. Recebeu o prémio Grinzane for best african Writer, na Etiópia, em 2008,  Prémio Jabuti de Literatura, no Brail, em 2010, e Prémio Literário José Saramago, em 2013, com o seu último romance Os Transparentes.