Lemonade não é só mais um novo álbum de Beyoncé. É o resultado artístico de uma mulher, negra, artista, esposa e mãe que se está a redescobrir.

Lemonade é uma exposição sombria, furiosa e que don’t give a fuck sobre o que os outros poderão pensar sobre.

Uma mulher ciumenta, traída e, mesmo assim, orgulhosa de si mesma é como se apresenta (ou representa) Beyoncé neste trabalho. A grande questão, que circula por todo o lado, é: o que terá feito Jay-Z? A verdade é que provavelmente nunca saberemos. E quem sabe, tratam-se apenas de sentimentos inspirados na experiência de outra pessoa. Pouco importa. Esta é a nova Beyoncé, que desligou o pop e ligou a criatividade artística que existe em si.

Uma mistura de pop, hip hop e r’nb com country e rock, onde um discurso de love yourself, de empoderamento e de “eu sou gente como qualquer outra pessoa” é a base das letras.

Bey não quis apenas criar um conjunto de músicas e fez este “projecto conceptual baseado na jornada de autoconhecimento e cura de todas as mulheres”, descreve o Tidal, em que num monólogo a artista transporta-nos o imaginário para os pensamentos mais íntimos dos conflitos existenciais desta mulher, negra, artista, esposa e mãe que se está a redescobrir.

Sobre o nome do álbum, a resposta chega-nos através da música “Freedom”: “Eu tive os meus altos e baixos, mas encontrei sempre uma força interior para me levantar. Serviram-me limões e eu fiz uma limonada (Lemonade)”.

Nas imagens temos Queen B de bastão de basebol na mão e alegremente enraivecida, temos a diva Serena Williams de olhar sedutor a dançar um twerk inimaginavelmente inebriante, temos Jay-Z num registo “menino da sua esposa” como nunca vimos, e muito, mas muito mais.

aqui o álbum visual que estreou no sábado, nos EUA, no canal HBO.

Escrevo aqui e ali. Gosto de estórias que marcam histórias. Sou de Portugal, com veia cabo-verdiana, dois pés em Angola e coração em França. Africanidade, estilos de vida e música são os temas que me prendem a atenção, mas gosto de me distrair com politiquices e bizarrices.