Jordan Kunzika é um jovem empreendedor de 21 anos, filho de angolanos, que nasceu nos Estados Unidos da América,  estudante de Ciência da Computação da Universidade de Dartmouth e é um dos fundadores da primeira app de encontros dedicada a homens e mulheres negros.

Numa entrevista publicada pelo Novo Jornal, ficámos a saber que num mundo onde os encontros neste tipo de aplicações, 20% das mulheres negras têm menos probabilidades de serem escolhidas e eles 27%. Estes são os números que criaram a rampa para o sucesso de BAE (Bafore Anything Else) [antes de qualquer outra coisa, em tradução livre do inglês], a app co-criada por Jordan Kunzika.

Criada em 2015 por Kunzika e pelos irmãos Justin e Brain Gerrard, a ferramenta foi desenvolvida para promover a inclusão da comunidade negra no mundo. “Em apenas um ano entrámos para o top 50 de aplicações de lifestyle em dez países africanos e em igual número de Estados caribenhos”, disse o co-fundador Kunzika citado   pelo Novo Jornal.

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Com presença na Nigéria, Tanzânia, Gana, Senegal, Quénia, Zimbabué, Uganda, Namíbia, Botswana e Libéria, e, apesar de não termos um mapa de expansão, vamos definitivamente tentar com que a BAE também chegue a Angola”, continuou.

O objectivo de BAE é posicionar-se na app número um de encontros para a comunidade negra e para isso a dedicação tem de ser a 100%. Esse motivo, aliado à obstinação e confiança no seu trabalho, levou Jordan a recusar duas propostas de empregos em duas das empresas tecnológicas mais importantes do mundo: Google e Microsoft.

“Todos os dias há um “bug” para ultrapassar, um problema para resolver. E o mais engraçado é que na fase inicial de uma startup, a maioria dos desafios envolvem tarefas adicionais ao nosso “caderno” de responsabilidades”, justificou.

Steve Jobs é uma das suas principais referências. “Uma das suas frases continua a marcar-me: ‘É o casamento da tecnologia com as artes liberais e com as humanidades que permite ao nosso coração cantar'”.

Mas crescer sem um modelo semelhante a si nesta indústria não é fácil, principalmente quando “muitas vezes era o único afro-americano nas aulas de Ciência da Computação”.

Mas ”percebi que estava nas minhas mãos optar entre deixar que isso me afectasse de forma negativa ou permitir que me motivasse a alcançar o sucesso, para que aqueles que viessem atrás se pudessem rever em mim”.

A persistência levou-o a conseguir obter um ama bolsa de  80 mil dólares, em serviços e meios, do programa do Facebook de apoio às startups, além de um convite para testar o AccountKit, que permitirá, em breve, o acesso à BAE sem necessidade de associar uma password ou email.

Questionado sobre a possibilidade de desenvolver algo em Angola, o jovem destaca que provavelmente seria algo ligado à Educação, a base da sua família, destacando que a aposta na Educação é a chave do sucesso profissional. “Sinto que beneficiei verdadeiramente da Educação que tive a oportunidade de receber aqui nos EUA, por isso gostaria de retribuir, proporcionando aos estudantes angolanos uma experiência educativa reforçada”. E tal como Jobs disse um dia: “Eu acho que [a tecnologia] fez o mundo ficar mais próximo e continuará a fazê-lo”.

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