Kaysha, o visionário que cria “hits” há 20 anos

É praticamente desnecessário apresentar Kaysha, mas se tens andado distraído (nos últimos 20 anos!) aqui tens um pequeno resumo: rapper, cantor, produtor, beat maker, editor, realizador, vlogger, bon vivant e, sobretudo, criador de hits.

“One Love”, “Love de Toi”, “Deeper”, “Diamonds”, “Si Tu Veux De Moi”, “Something Going On” e “On Dit Quoi” são só alguns exemplos dos hits que hão de perseguir a carreira de Kaysha mas, se quiséssemos, a lista continuaria. Entre as faixas interpretadas por si e as que produziu, seriam precisos, pelo menos, três pares de mãos para prosseguirmos a contabilização.

Encontrámo-nos com o multi-facetado artista, na Baixa de Lisboa, para uma conversa sobre a sua carreira além do que tem feito como cantor.

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Foto: BANTUMEN / Vanessa Sanches

Se achas que Edward Mokolo Jr., nome de baptismo, andava apagado da cena artística, estás redondamente enganado. A vida profissional de Kaysha tem-se focado essencialmente na produção de músicas para outros artistas e no seu vlog, que alimenta diariamente. Falando apenas de duas músicas recentes, “Miúda Linda”, de Nelson Freitas, e “Vamos Ficar Por Aqui”, de C4 Pedro, são produções que saíram directamente do estúdio do franco-congolês, que agora vive em Portugal.

Desde 2003 que Kaysha se apaixonou por Lisboa, e há três anos decidiu trocar as ruas parisienses pelas lisboetas. “Eu amo essa cidade, desde a primeira vez em que meti aqui o pé. Em 2012, 2013, comecei a dizer-me que já tinha tudo feito em Paris e como criei um modelo de business em que preciso apenas de uma conta bancária, comecei a pensar no mais e menos de cada cidade [preferida], entre Miami, Nova Iorque, São Paulo, Lisboa e Banguecoque”, explica-nos o artista num português incrivelmente perfeito, para quem aprendeu em apenas três anos.

Na capital portuguesa, o mar, o poder de compra três vezes superior ao de Paris e a rapidez em chegar a qualquer outra cidade europeia foram os pontos que mais pesaram na escolha.

No seu apartamento no Parque das Nações, uma das zonas nobres de Lisboa, Kaysha dedica-se a criar beats e a produzir os vídeos que publica diariamente no seu vlog no YouTube. “É com o dinheiro disso que pago a minha renda”, confidenciou sem grandes rodeios.

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Foto: BANTUMEN / Vanessa Sanches

Chamamos-lhe de visionário porque a Sushiraw, label que criou em 1998, foi uma das primeiras a dar importância à Internet como veículo de produção e divulgação de carreiras. “Sushiraw é mais um conceito do que uma produtora. É uma das primeiras labels virtuais. O meu escritório é o Dropbox e trabalho com artistas no Brasil, Estados Unidos, Banguecoque, Congo, França, B Bélgica e aqui em Portugal e não preciso de ir ao estúdio com ninguém. A revolução da Internet é isso.”

A facilidade que tem em criar músicas apreciadas por milhões de pessoas é culpa da forma como absorve outras culturas. Kaysha começou a viajar desde pequeno – o pai é diplomata, o que obrigava a mudar de país com alguma regularidade – e, por onde passa, capta as sonoridades e essência dessas culturas e transforma-as em música.

A sua última master piece chama-se Romantic Revolutions, que num conceito diferente do que conhecemos por álbum digital, vai ter a divulgação de 30 músicas no YouTube – uma por mês – até à conclusão do trabalho final, cujo número de faixas ainda não foi divulgado.

Para saberes um pouco mais sobre esta conversa Kaysha X BANTUMEN, vê o vídeo abaixo:

 

Agradecimentos:

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Vanessa Sanches

Escrevo aqui e ali. Gosto de estórias que marcam histórias. Sou de Portugal, com veia cabo-verdiana, dois pés em Angola e coração em França. Africanidade, estilos de vida e música são os temas que me prendem a atenção, mas gosto de me distrair com politiquices e bizarrices.