Os pré-conceitos e paternalismo euro-centristas em relação ao continente africano são tantas vezes tão acurados e enramados que nos turvam a vista e não nos permitem observar o que é evidente. Há talento, há arte, há mais, muito mais além da pobreza, dos minerais, das guerras e dos oportunistas. É essencialmente isso que a AKAA, Also Known As Africa, a primeira feira de arte africana contemporânea em Paris, nos mostrou de 11 a 13 de Novembro.

Assim que entramos no espaço Le Carreau du Temple, um antigo mercado coberto do século XIX que agora é dedicado a eventos culturais e desportivos, localizado no terceiro arrondissement da capital francesa, damos de caras com o imponente e sublime trabalho têxtil do argelino Rachid Koraîchi, em homenagem à corrente mística e contemplativa do Islão, numa mensagem de harmonia, paz e amor.

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À medida que nos deixamos levar por cada corredor, apercebememos-nos que a arte não reside simplesmente nos materiais ou nas técnicas aplicadas. A imaginação, a criatividade e a capacidade de engendro são instrumentos artísticos tão valiosos quanto o conhecimento. O Instagram, um dos parceiros da AKAA, levou ao evento Girma Berta, um fotógrafo e designer etíope, de 26 anos, cujas obras são nada mais do que fotografias de rua captadas e editadas com o seu telemóvel. As imagens fazem parte da instalação Moving Shadows, onde Berta capta o dia-a-dia da movimentada cidade de Adis Abeba, isola a figura de cada pessoa fotografada para a sobrepor num pano de fundo criado digitalmente.

AKAA, nas palavras de Victoria Mann, fundadora e directora do projecto, é uma “África pluralista” e esta primeira edição coloca em evidência a “liberdade artística e de expressão”.

“Os artistas africanos contemporâneos estão a inverter as tendências e os preconceitos que durante muito tempo se tornaram numa barreira contra o seu próprio reconhecimento. Por ora, o olhar do mundo da arte está a caminhar em direcção  à criação artística contemporânea africana, criando um movimento positivo No qual AKAA quer juntar as suas forças. As 30 galerias e  123 artistas presentes estão a testemunhar o reconhecimento internacional deste cenário  contemporâneo que ganhou finalmente o seu lugar em Paris, e que terá um encontro anual”, explicados Victoria.

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O evento foi ainda o local ideal escolhido para o lançamento do livro Little Africa, o primeiro guia turístico de cada recanto africano existente em Paris. Em versão francesa e inglesa, que já podes adquirir aqui, o guia dá-te a conhecer os espaços dedicados às artes, moda, gastronomia, e cultura de origem africana instalados na famosa cidade das luzes.

Fica com o nosso registo vídeo e fotográfico, todo ele captado pela lente de um iPhone 6S.

 

Escrevo aqui e ali. Gosto de estórias que marcam histórias. Sou de Portugal, com veia cabo-verdiana, dois pés em Angola e coração em França. Africanidade, estilos de vida e música são os temas que me prendem a atenção, mas gosto de me distrair com politiquices e bizarrices.