Loreta KBA, Landim, NeJah e Baby Dog foram os protagonistas, de uma noite de sábado de pura homenagem ao que tão bem se faz no rap crioulo. E se pensavam que o rap crioulo é só para os miúdos marginalizados do bairro, desengane-se. No Titanic Sur Mer, junto aos Cais de Sodré, em Lisboa, numa noite agradável, o público aderiu bastante e a presença de um misto de culturas era notável. Houve até um casal de estrangeiros, que entrou por curiosidade e ficou até ao fim do espectáculo.

Loreta KBA
Baby Dog

Baby Dog foi o primeiro artista a actuar e, sem aquecer o público, numa de preparar o pessoal para o que aí vinha, entrou a matar. O número de abertura podia muito bem ter sido único. Energia e boa vibe que não deixou morrer, em circunstância alguma, o público. Destaque para o surgimento de Vado Más Ki As, que apareceu para cantar, junto do artista da Amadora, “GhettoRaq M.K.A 2015”.

Loreta, um dos mais esperados da noite, foi o segundo a subir ao palco, escusado será dizer que, debaixo de um barulho ensurdecedor por parte de um público que se encontrava em pleno êxtase. “Pergunta sem resposta”, “Vida Sta Mariado” foram algumas das músicas interpretadas, que foram entoadas do início ao fim.

Depois de dois artistas, que ofereceram uma mistura de estilos, que variou entre o hip hop e o afrotrap, Landim, que no último ano se virou mais para o trap, trouxe o groove e o sentimento, do hip hop old school que faltava à noite lisboeta. “Agrada Só Bó” e “Akréscimu” foram algumas das faixas na performance do artista da Linha de Sintra.

Encarregue de trancar a noite ficou o rapper do Fogueteiro, NeJah, que não desiludiu e com a ajuda do público cantou clássicos como “Moedaz”, “Ghetto” e “Sem Mimos”. Ao palco, convidou ainda Vado, para cantar “Ilhas Maravilha” e uma rapariga que subiu ao palco pela mão do próprio, e que sabia a letra de trás para a frente.

NeJah

Para quem ficou até ao fim, pôde fazer parte do clima de união com todos os rappers presentes no Titanic a serem chamados ao palco para demonstraram o seu melhor improviso. São iniciativas como estas que dão força ao movimento e que, ao longo dos anos, tem evoluído de uma forma progressiva e cada vez menos  silenciosa. Uma amostra de que o rap, em crioulo, está vivo e em boas mãos, dando continuidade ao legado de nomes como Nigga Poison e Da Blazz.

Antes, do espectáculo, os artistas falaram em exclusivo com a BANTUMEN, fica a saber mais sobre o que nos contaram no nosso canal de YouTube.