O nome Selma Mylene Soeiro podia ser sinónimo de energia. Para a bailarina de 23 anos, de origem angolana, dançar é tão fundamental quanto respirar e faz o que estiver ao seu alcance para correr atrás do sonho de miúda na capital lisboeta.

Os ritmos que mais a agradam são o afro-house e o kuduro, mas não nega dançar sob qualquer beat. “Se for para dar uns toques de Ballet eu dou. O que me interessa é dançar”, afirma. Do grupo de danças tradicionais angolanas da zona à participação num videoclipe dos Buraka Som Sistema, Selma, a nível nacional, tem seguido as pegadas de Blaya e quer chegar ao patamar de dançarinas de renome internacional, como Diana Matos, o seu ídolo.

“O MC Gasolina foi aquela pessoa que me empurrou”

Tudo começou no Algarve, de onde é natural. Aos 17 anos, Selma escapulia-se de casa para poder ir dançar com as amigas numa discoteca da zona. “Eu só queria era dançar”, diz-nos como quem sonha acordada. Numa dessas noites, o animador Gasolina lançou um desafio. “O MC Gasolina disse: ‘A rapariga que tiver coragem, suba ao palco para vir dançar’. E eu fui. Pisei naquele palco, comecei a dançar e a dançar e ele ficou admirado.” Estava assim dado o primeiro passo para começar a dançar profissionalmente em eventos, principalmente nocturnos. Foi com o animador de eventos angolano que Selma ganhou os primeiros trocos. Correu as discotecas do Algarve, Lisboa, Porto, Braga, entre outras cidades portuguesas. “O MC Gasolina foi aquela pessoa que me empurrou e que me dá um feedback até hoje”, reconhece em jeito de agradecimento.

Quando o seu nome começou a ficar conhecido no meio, começaram a surgir cada vez mais convites. Na altura, a bailarina trabalhava num restaurante de fast-food e a distância de mais de 200 quilómetros de Lisboa, onde as oportunidades fervilham, estava a atrasá-la na corrida em busca do seu sonho de se vir a tornar bailarina profissional. Entretanto, um convite dos Buraka Som Sistema para participar nas gravações do videoclipe de “Vuvuzela” foi o mote para a sua carta de despedimento e rumar à capital.

Blaya, membro dos Buraka Som Sistema, foi outro dos pilares da ainda curta carreira de Selma. “Ela viu que eu estava muito empenhada e ela viu que era isto que eu queria. Veio falar comigo, disse-me que dançava bem, que precisava de alguma prática e técnica e que queria trabalhar comigo. Deu-me vários trabalhos, desde videoclipes e shows”. Num desses shows, a sintonia entre Blaya, Selma e Mónica, outra jovem bailarina, foi tal que acabaram por decidir formar um grupo, as BSM, sigla formada pela primeira letra dos seus nomes próprios.

O grupo já viajou de norte a sul de Portugal, além de já ter actuado em Espanha e Itália. No currículo, Selma também assinala shows e videoclipes para artistas como The Groove, Mestre Dangui, Agre G, Nerú Americano, Os Pilukas, Pupilos do Kuduro, entre outros.

Actualmente, Selma dá aulas e substitui Blaya em alguns compromissos, visto que a gravidez obrigou o membro dos Buraka Som Sistema a abrandar o ritmo de trabalho. No vídeo, descobre um pouco mais sobre a bailarina que quer chegar ao patamar de Diana Matos, o seu ídolo da dança, e de quem já tivemos a oportunidade de falar aqui.