Studio Shap Shap, quando a música tradicional se funde com a electrónica

A República do Níger é um dos países mais pobres do mundo, segundo as Nações Unidas mas, em paralelo, é um país muito rico no que toca à diversidade cultural e à qualidade musical. Ao longo da sua história, o país tem tido diversos grupos musicais que têm dado que falar no panorama africano, como por exemplo Denke Denke, Mamane Barka e Bombino.

Studio Shap Shap são também uma boa representação dos estilos musicais dos tempos mais modernos. O grupo foi formado em 2013 por seis músicos tradicionais, entre eles Oumaru Adamou, Boubacar Siddo Diallo, Senyi Haidu e mais dois artistas, um da República do Chade e outro da Ilha da Reunião.

Em 2016, lançaram o seu primeiro álbum intitulado Chateau 1depois de três anos a tocar ao ar livre e a dar concertos. Neste seu trabalho de estreia, de 11 faixas, o grupo quis incorporar a música tradicional através de instrumentos como a duma, o kindé e o molo com sonoridades mais modernas como as samples e o teclado. Basta ouvirmos segundos de uma faixa dos Studio Shap Shap, que a musicalidade adquirida remete-nos para o clima africano e para as texturas da terra.

“A nossa vontade sempre foi utilizar a nossa tradição musical para fazer sentir a voz do nosso país, que é sempre confudido com a Nigéria. O objectivo é valorizar o nosso património cultural e as suas diversas personalidades que para muitos sãos desconhecidas,” palavras do grupo em entrevista à publicação Afribuku.

Seis músicos diferentes, com influências musicais variadas e com um único objectivo: alcançar uma sonoridade única e característica. O grupo admitiu ainda que prima pela diferença e que é esse o caminho para a distinção no panorama musical.

“O nosso objectivo é sermos fiéis a nós próprios, tocar de uma maneira diferente e tentar produzir sons que as pessoas estão pouco habituadas a ouvir. Experimentar e misturar diferentes universos que sobressaiam. Tudo isto sobre o lema: “O Níger é o país de onde viemos. Queremos romper códigos e jogar com todos os géneros.”

De forma a obter a musicalidade necessária, o grupo gravou o álbum ao ar livre, rodeado de árvores, pássaros e insectos mesmo no meio da capital do Níger, a cidade de Niamey. Esta identidade musical foi um risco que o grupo correu e que não poderia ter tido uma melhor recepção por parte do povo do Níger.

“O público do Níger mostrou-se bastante entusiasmado e contente ao reconhecer os instrumentos musicais que fazem parte da sua infância, acompanhado do teclado e de sons mais electro presentes nas samples. Temos encontrado um público surpreendido e conquistado.”

Quando questionados com o futuro do grupo, pela Afribuku, foram peremptórios na sua resposta: “Continuar a evoluir, a inovar e a trabalhar para divulgar o nome do Níger no panorama mundial da música.”

BANTULOJA
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