A empresa de Mark Zuckerberg reconheceu esta semana que o Facebook tem sido utilizado pelos governos para manipular a opinião pública. O anúncio, que foi feito esta quinta-feira pela equipa de segurança da plataforma, refere explicitamente que é nos períodos eleitorais em que são detectadas o maior número de operações suspeitas.

Foi divulgado um documento de 13 páginas que revela os detalhes de algumas técnicas utilizadas por Estados e organizações que têm vindo a fazer uso de vários perfis para espalhar informações enganosas e falsidades com vista a atingir “objetivos estratégicos e/ou geopolíticos”.

Os esforços, que a empresa diz serem concertados, vão para além do fenómeno da redação e disseminação de notícias falsas.

“Fomos obrigados a expandir o nosso foco de segurança do comportamento abusivo mais típico, como o hacking de contas, o malware, o spam e as fraudes financeiras para incluir também formas mais subtis e traiçoeiras de uso indevido da nossa plataforma. E isto inclui tentativas de manipular o discurso público e de iludir as pessoas”, diz o Facebook. Para a concretização destes objetivos, são indicados métodos como a “plantação de conteúdos, a recolha criteriosa de dados de utilizadores e a utilização de contas falsas para ampliar o impacto de uma dada visão, semear a desconfiança em algumas instituições políticas e espalhar a confusão”.

Os casos mais recentes apontam para a França, na altura da primeira volta das eleições presidenciais, onde a rede social foi obrigada a suspender cerca de 30 mil perfis falsos.  As eleições norte-americanas também foram alvo deste fenómeno.

A rede social não aponta o dedo a qualquer país em específico, mas, como nota o The Guardian, a investigação conduzida não contraria as descobertas publicadas em janeiro passado num relatório elaborado pela Direcção Nacional de Inteligência norte-americana que acusava a Rússia de ter influenciado os eleitores durante a campanha eleitoral de 2016 que foi protagonizada por Donald Trump e Hillary Clinton.

Doravante, a rede social compromete-se a monitorizar mais atentamente todas as “operações de informação” que visam instrumentalizar o Facebook para manipular as massas e informa que vai desenvolver novas ferramentas para identificar contas e para educar os seus utilizadores acerca destes perigos.