A jornalista Pilar del Río, com um projecto que associa José Saramago e Jorge Amado, a escritora Djaimilia Pereira de Almeida e o activista Luaty Beirão estão confirmados para a Festa Literária Internacional de Paraty, em Julho, no Brasil.

O anúncio da sua participação no encontro literário brasileiro, a decorrer de 26 a 30 de Julho, foi feito na noite de sexta-feira, no Consulado Geral de Portugal em São Paulo, e os seus nomes juntam-se ao do escritor e filólogo Frederico Lourenço, Prémio Pessoa 2016, anunciado na semana passada, quando da publicação do primeiro volume da sua tradução da Bíblia grega, no Brasil, pela Companhia das Letras.

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A participação de Pilar del Rio, presidente da Fundação José Saramago, na Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), passa pela associação à Casa Jorge Amado, de Salvador, Bahia, que vai permitir a materialização da Casa Amado Saramago, na cidade do Estado do Rio de Janeiro.

Estão já previstos, como convidados da Casa Amado Saramago os escritores José Luís Peixoto e Ondjaki.

A Casa Amado Saramago vai ter programação própria, estando prevista a edição de um livro com a correspondência trocada pelos autores de “Memorial do convento” e “Gabriela, cravo e canela”.

Em Paraty será igualmente apresentado o romance de estreia de Djaimilia Pereira de Almeida, Esse cabelo. A obra é de raiz autobiográfica e combina ficção e ensaio, centrada na relação de uma rapariga de origem africana com o seu cabelo.

Djaimilia Pereira de Almeida nasceu em Luanda, em 1982, e vive em Portugal. Desde a infância, é investigadora da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, doutorada em Teoria da Literatura pela Universidade de Lisboa. Esse cabelo será publicado no Brasil pela Leya.

Do rapper e activista angolano Luaty Beirão, a Tinta-da-China Brasil vai levar à festa de Paraty o seu diário de prisão, Sou eu então mais livre, então. O livro foi escrito durante o tempo em que esteve detido, em Angola, de Junho de 2015 a Junho de 2016.

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Luaty Beirão também lançará no Brasil, pela editora Demônio Negro, Kanguei no Maiki – expressão angolana para “agarrei o microfone” -, uma colectânea de rimas dos seus raps.

A acção pública de Luaty Beirão, em defesa dos direitos humanos em Angola, soma perto de uma década. Em 2015, foi um dos 17 activistas detidos por debaterem o livro Da Ditadura à Democracia, de Gene Sharp, e textos de Domingos Cruz, em defesa de Uma filosofia política da libertação para Angola.

Beirão sobreviveu a duas greves da fome durante o processo e acabou libertado, com os seus companheiros, no final de junho de 2016, depois de julgados e condenados.

A 15.ª edição da FLIP tem curadoria da jornalista Joselia Aguiar e homenageia Lima Barreto, precursor do modernismo brasileiro, “o escritor pobre, negro e anarquista”, que ficou conhecido pela obra O triste fim de Policarpo Quaresma.

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O jamaicano Marlon James, autor de Breve história de sete assassinatos, vencedor do Man Booker Prize, foi o primeiro nome anunciado para a FLIP.

Seguiram-se a chilena Diamela Eltit, cofundadora do grupo de vanguarda Colectivo de Acciones de Arte, e a ruandesa Scholastique Mukasonga, definida como “uma das principais vozes africanas” pela organização.

Frederico Lourenço, além do início da publicação da sua tradução do grego da Bíblia, também terá publicado no Brasil o volume de ensaios “Livro aberto: Leituras da Bíblia”, pela Oficina Raquel.

Para a abertura da FLIP está anunciada uma representação evocativa de Lima Barreto (1881-1922), pelo actor Lázaro Ramos, com encenação de Felipe Hirsch, sobre uma investigação da historiadora Lilia Schwarcz.

Quando do anúncio do nome de Joselia Aguiar, para curadora, a jornalista do Folha de São Paulo e do Valor Económico, disse, em comunicado, ter por objectivo “levar à festa literária a diversidade de autores, géneros e temáticas que melhor representam a literatura contemporânea mundial e as questões do Brasil e do mundo de hoje”.