A UX, uma startup tecnológica moçambicana, com o seu projecto Biscate, destacou-se como uma das primeiras nove startups anunciadas como vencedoras da primeira edição do concurso para o Fundo de Inovação da Aceleradora de Ecosistemas do GSMA. A iniciativa foi criada em 2016 e tem como objectivo  apoiar startups em África e Ásia, activas nas áreas da economia de partilha e serviços para PMEs.

O Biscate, produto da UX, conecta trabalhadores no sector informal (canalizadores, pintores, mecânicos, etc.) que não têm acesso à Internet e a clientes, através de tecnologias híbridas USSD e tecnologias web. O serviço proporciona maiores oportunidades de trabalho e rendimento a estes trabalhadores.

Este prémio irá ajudar no crescimento do serviço, já existente em Moçambique, através de parcerias com mais operdadoras móveis locais e ligar trabalhadores a centros de treinamento relevantes, para adquirirem capacitação e certificação. A UX acredita que operadoras móveis podem fornecer o seu canal, infraestruturas, experiência técnica e credibilidade da marca, enquanto que a UX como startup fornece-lhes soluções inovadoras que podem escalar rapidamente.

Biscate em Nampula

O concurso envolveu mais de 400 candidaturas provenientes de 41 países. O Fundo de Inovação da Aceleradora de Ecosistemas do GSMA é financiado pelo Departamento para o Desenvolvimento Internacional do Reino Unido (UK Department for International Development) – DFID – e apoiado pelo GSMA e pelos seus membros. O prémio visa apoiar startups selecionadas da África e Ásia, que usam tecnologias móveis para solucionar problemas nas áreas da economia de partilha, serviços para PMEs e nos Objectivos do Desenvolvimento Sustentável (Sustainable Development Goals).

Durante o processo de selecção, identificou-se que as melhores 100 startups tinham como características comuns terem lançado produtos ou serviços com usuários activos e já terem gerado receita; terem em média 11 pessoas; existirem no mercado há dois anos; terem arrecadado em média £330,000 em financiamento; gerarem um impacto sócio-económico relevante localmente; fornecerem soluções a nove dos 17 Objectivos do Desenvolvimento Sustentável e cerca de 44% delas já terem parcerias estratégicas fortes com as operadoras móvies locais.

As primeiras nove startups vencedoras, anunciadas a 27 de Abril do corrente ano, foram eSewa (Nepal), Kytabu (Quénia), Optimetriks (Quénia, Tanzania e Uganda), Prepclass (Nigéria), Raye 7 (Egipto), Ruangguru (Indonésia), Safemotos (Ruanda), Twiga Foods (Quénia) e UX (Moçambique). Todas elas vão usufruir de financiamento, assistência técnica e oportunidade de fazer parcerias com operadoras móveis nos seus respectivos mercados, para ajudar a tornar os seus produtos e serviços em negócios sustentáveis e com um impacto sócio-económico positivo.

“Ainda damos mais valor a um curso técnico de dois anos do que à habilidade de um artesão”

“A visão da classe média é dominada por estigma e nós ainda damos mais valor a um curso técnico de dois anos do que à habilidade de um artesão, que foi herdada e repassada por mais de três gerações. O Biscate tem o potencial de mudar este paradigma social e impactar positivamente desafios como o desemprego e poucas oportunidades de rendimento que afectam África no geral”, afirma Frederico Silva, CEO da UX.

De acordo com o United Nations Office of the Secretary-General’s Envoy on Youth, estima-se que 80% da população de Moçambique abaixo dos 35 anos de idade não tem emprego estável. Muitos têm dificuldade em adquirir fundos para suprir as suas nessecidades diárias, devido à falta de oportunidades de trabalho.