Gracelino Barbosa, atleta paralímpico cabo-verdiano, venceu as provas dos 100 metros livres e dos 100 metros barreiras no Mundial de Banguecoque, Tailândia. Duas vitórias com um sabor especial a agri-doce. Gracelino foi sozinho para a competição. Sem apoios, nem equipa técnica, vale-lhe as comitivas de Portugal e Espanha para quando precisa de uma massagem ou algum tipo de preparação que não consiga realizar sozinho.

Depois da primeira vitória, o governo cabo-verdiano enviou… palavras de contentamento pelo feito do atleta. Em comunicado, o Ministério do Desporto regozija-se com “mais um título alcançado”, e recorda que o atleta paralímpico “já possui um rico curriculum onde constam, também, o recorde do mundo nos 60 metros barreiras e, consequentemente, medalha de ouro no campeonato do mundo INAS de Ancona (Itália), no ano passado com o tempo de 8 segundos e 49 centésimos”.

Contudo, não há lugar para ressentimentos. “Foi para isto que eu vim. Eu vim lutar e quero os primeiros lugares”, disse Gracelino em entrevista a uma rádio do seu país. Ainda vem aí a prova dos 400 metros barreiras. “Estou a ir para a guerra, preparado. Com as condições que vim, vim correr, é isto que vou fazer e é isto que gosto de fazer. ” Palavras de um atleta que apesar das dificuldades, no alto da sua condição de atleta e paralímpico, não há nada que o demova do seu objectivo: vencer.

“É claro que vir sozinho e ver todos os outros países com toda uma equipa técnica e desportiva, é complicado. Mas tenho de me sentir forte, para não me ir abaixo. Ter um preparador, o meu treinador, pessoas do comité, mas procuro estar sempre ao lado dos grandes”, como é o caso das selecções de Portugal e Espanha, que têm apoiado no que for necessário.