O Muro – Festival de Arte Urbana de Lisboa irá animar a zona de Marvila, a partir de quinta-feira, com pinturas ao vivo, por artistas portugueses e estrangeiros, conferências, cinema, oficinas, visitas guiadas, música e animação de rua.

Ao longo dos quatro dias de festival serão realizadas 15 pinturas de grande escala em edifícios situados na zona envolvente da biblioteca de Marvila, às quais se juntam outras superfícies noutros suportes que, no total, perfazem uma área de intervenção artística de quatro mil metros quadrados, de acordo com Galeria de Arte Urbana (GAU) da Câmara Municipal de Lisboa, que organiza a iniciativa.

As obras são da responsabilidade de artistas portugueses como Godmess, Hazul, Kruella D’Enfer, Miguel Brum e LS (AK Crew) -, artistas de outros países latino-americanos, Gleo (Colombia), Kobra (Brasil), Steep (Equador), Zesar Bahamonte (Espanha) e Cix Murge (México), e vencedores de cinco concursos lançados para a concepção e realização de cinco intervenções artísticas em empena, Alecrim (Portugal), Coletivo Medianeras (Argentina), Jhon Douglas (Brasil), Krammer (Brasil) e The Caver (Portugal).

A GAU convidou ainda o artista venezuelano FLIX a realizar uma residência artística de um mês em Marvila, “onde desenvolverá um projecto site-specific num conjunto de suportes diversificados no território, destinado sobretudo ao envolvimento da população juvenil destes bairros”.

A programação do festival inclui, além das intervenções, visitas guiadas, oficinas de arte urbana, concertos, debates, aulas de skate, encontros de hip-hop e exposições de arte urbana e de fotografia, “em quatro dias de festa e celebração entre a comunidade da arte urbana, a população de Marvila e da cidade, e os seus visitantes”.

Na agenda de concertos estão marcadas atuações diárias da Orquestra Original Bandalheira, em vários horários, de Noiserv, de Riot e dos Paus.

Noiserv actua na sexta-feira às 18h na rua Carlos Gil, “um concerto em altura com uma obra de arte urbana como cenário”. Riot, dos Buraka Som Sistema, actua no sábado, à mesma hora, mas na rua Alberto Pessoa. Do espectáculo, que tal como o de Noiserv “vai acontecer numa estrutura colocada numa empena acabada de pintar”, fazem parte “samples vocais gravados localmente numa homenagem ao rapper local Betto Di Gueto”, que morreu em Março deste ano.

Os Paus actuam no domingo, pelas 16:00 na Escola Básica de Marvila. Para o concerto, a banda da bateria siamesa convidou João Carvalho, um músico local mais conhecido por Baterista.

Em cada um dos quatro dias do festival há cinema, no auditório da Biblioteca de Marvila, sempre às 19:00, sendo exibidos: “Os Pixadores”, de Amir A. Escandari, “Montanha”, de João Salaviza, “Bando de raparigas”, de Céline Sciama, e “A jaula de ouro”, de Diego Quemada-Diez.

O auditório da biblioteca irá também acolher, na sexta, no sábado e no domingo, pelas 17h, as “Conversas Arte Urbana” e estará ainda patente a exposição “Underdogs Editions”, com trabalhos de 18 artistas portugueses e estrangeiros.

A programação completa pode ser consultada em www.festivalmuro.com. A primeira edição do festival realizou-se no ano passado no Bairro Padre Cruz. Tal como aconteceu em 2016, a GAU acredita que o Muro “possibilitará a criação de um novo e importante núcleo de obras de arte urbana numa zona periferia da cidade, o que responde positivamente à preocupação de descentralização”.

Nas paredes do Bairro Padre Cruz surgiram obras de artistas como os espanhóis Aryz e Borondo, os portugueses Pariz One, Bordalo II, Mr.Dheo, Uber, Draw, Nomen, Tamara Alves e Mário Belém, o francês Mathieu Trembelin e a dupla holandesa Telmo e Miel. Entretanto, foram criadas visitas guiadas às obras.

O Muro é organizado pela GAU em parceria com a GEBALIS e a Junta de Freguesia de Marvila e está incluído na programação da Capital Ibero Americana da Cultura – Lisboa 2017.