Retratada a “história do povo negro” através de fantástica sessão fotográfica de Omar Victor Diop

Omar Victor Diop é o fotógrafo senelgalês que deu origem a uma nova narrativa da “história do povo negro”. Através de um ensaio fotográfico fora do comum, intitulado Liberty (Liberdade), Diop misturou auto-retratos e encenações que nos relatam episódios marcantes de protestos pelos direitos civis.

A exposição vai estar patente no Festival de La Gacilly, em França, de 3 de Junho a 30 de Setembro.

O fotógrafo nasceu em Dakar, em 1980, e desde sempre mostrou interesse pelo fotografia e design, principalmente com o objectivo de capturar a diversidade das sociedades africanas modernas e o seu lifestyle.

O trabalho de Omar é sobretudo interrogativo e intrigante, num panorama vintage que tem como base a sua visão internacional e a sua herança cultural africana.

 

A 26 de Fevereiro de 2012, Trayvon Martin, um afro-americano de 17 anos, foi assassinado em Sanford, Florida. George Zimmerman, residente de um bairro onde os assaltos eram uma constante, atirou sobre o jovem de forma mortal. Foi considerado inocente. Um veredicto que deu origem um importante movimento de luta pelos direitos civis da comunidade afro-americana e que fez do caso Trayvon Martin um momento chave da luta contra a violência perpetrada contra jovens negros.

Em 1965, três manifestações em Selma e Montgomery, no Alabama, EUA, foram organizadas para defender o direito dos negros. A 7 de Março, 600 manifestantes foram fortemente reprimidos pela polícia. O evento ficou marcado como Bloody Sunday (Domingo Sangrento, em tradução livre). Martin Luther King participou nas duas marchas seguintes, a 9 e 25 de Março. Os actos de violência perpetrados pela polícia e pelo grupo Ku Klux Klan neste período atraem a atenção da comunidade nacional e internacional.

Aline Sitoé Diatta proclamou em 1944 a resistência dos agricultores na sua região, Casamance, no sul do Senegal, contra o esforço de guerra e perturbação da sociedade tradicional imposta pela França. Presa por insurreição e deportado em Timbuktu, Mali, Diatta acaba por morrer aos 24 anos, vítima de abusos.

De Novembro de 1929 a Janeiro de 1930, 25 mil mulheres da etnia Ibo, no sudeste da actual Nigéria, rebelaram-se contra a vontade dos britânicos em implementar um imposto. O governo colonial tentou reprimir esta “guerra das mulheres”, matando dezenas delas.

Rainha Nanny é uma das grandes figuras da resistência dos escravos fugitivos da Jamaica, no século XVIII. Nascido no Gana, na tribo Ashanti, Nanny fugiu de uma fazenda com seu irmão e fundou uma comunidade Quao, nas Montanhas Azuis, na cidade de Portland, por volta de 1720. O local, quase inacessível, fora batizado de Nanny town. A economia desta comunidade, conduzida com mão de ferro, foi baseada em permutas, agricultura e pecuária. Nanny é tida como responsável pela libertação de várias centenas de escravos ao longo de várias décadas.

A 1 de Dezembro de 1944, no campo militar Thiaroye, em Dakar (Senegal), um grupo de atiradores africanos, antigos prisioneiros de guerra, organizaram uma manifestação pelo pagamento dos seus subsídios e poupanças prometidos durante meses pela França. Uma sangrenta repressão foi ordenada pela autoridade colonial. Setenta destes soldados de infantaria foram mortos sem aviso. A memória do massacre continua muito viva na memória coletiva da África francófona.

TRABALHO DE PRETO
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Equipa BANTUMEN

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