Afropunk, a excelência de origem africana em Paris com um embaixador angolano

Pelo terceiro ano consecutivo, o festival Afropunk vai acontecer em Paris nos dias 15 e 16 de Julho, numa das casas de eventos mais importantes da capital francesa, o La Villette. Depois de duas edições praticamente esgotadas no teatro Trianon, era urgente encontrar um espaço maior, que pudesse albergar o crescente público deste festival internacional que pretende dar espaço e tempo de antena à comunidade afro-descendente activa em várias áreas, das artes às questões sociais.

Música ao vivo, filmes, arte de rua, debates, activismo, mercado, espaços gastronómicos e um parque de skate são só algumas das atracções doo evento, que começou nos EUA em 2005, em Brooklyn, e se estendeu a Atlanta, Paris, Londres e Joanesburgo.

No evento da cidade parisiense também se fala português, começando por um dos embaixadores, Sam Lambert, co-fundador do colectivo Art Comes First. “Acredito verdadeiramente na cultura punk. Alucinei quando descobri grupos de punk negros, que eu nem imaginava existirem. Pure Hell, Bad Brains, Body Count… Mas o punk é também uma filosofia à qual eu adiro completamente, a da expressão individual levada ao limite”, explica Lambert em entrevista à Jeune Afrique.

Sam Lambert e Shaka Maidoh | @John Midgley

“Quando és uma mulher negra, és celebrada no Afropunk”

O festival teve a sua base no documentário Afropunk: The Rock’n’Roll Nigger Experience (Afropunk: A Experiência do Rock’n’Roll Negro, em tradução livre). O tatuador afro-americano James Spooner juntou-se a Matthew Morgan, produtor britânico do filme, e começaram a projectar aquele é hoje um dos maiores festivais alternativos dedicado à comunidade negra internacional. Se nas primeiras edições o foco era reunir artistas e fãs de punk, num cenário maioritariamente branco, hoje, o Afropunk é uma mescla de sonoridades, entre o punk, hip hop, r’nb, néo-soul, pop e electro, além de outros ritmos alternativos como o voguing, um estilo de dança urbana que ganhou vida na década de 1980 através da comunidade LGBTQ. À margem da música, há ainda ao dispor do público uma espécie de mercado de tendências, onde se juntam criadores, designers, stylists, a cozinha afro, stand-up, batalhas de dança, projecções de filmes e um espaço para debates.

Esta aventura começou há mais de dez anos com apenas cerca de 250 pessoas e no ano passado, em Brooklyn, reuniu mais de 60 mil. O Afropunk prepara-se agora para chegar a África, com a primeira edição no continente a acontecer em Dezembro, na África do Sul.

Anna Tjé, co-fundadora e directora artística da revista, também em declarações ao Jeune Afrique, explica que o Afropunk é igualmente um espaço de celebração da mulher negra, que representa cerca de 65% do público. “Quando és uma mulher negra, és celebrada no Afropunk, enquanto no quotidiano, na sociedade actual, dão-te a entender que és uma minoria.”

O festival em Paris começa este sábado, em La Villette, e os bilhetes custam 45,50 por um dia, ou 78,50 euros pelos dois dias, um preço que muitos afirmam não ser nada simpático, mas que como explica Matthew Morgan: “este festival nunca foi gratuito. A segurança, o palco, as luzes, os artistas, o serviço sanitário… é um orçamento que lutei para não imputar ao público mas que também não podia mais suportar sozinho.”

 

TRABALHO DE PRETO
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