Lura: Cabo-verdianas “devem pensar mais e gerir melhor a sua vida”

Lura faz parte do grupo de vozes da música cabo-verdiana mais ouvidas internacionalmente. No dia em que celebramos o Dia da Mulher Africana, 31 de Julho, deixamos aqui algumas palavras proferidas pela cantora, durante um concerto em Sines, Portugal, sobre a maternidade precoce em Cabo Verde.

Depois de subir ao palco, Lura falou aos jornalistas sobre o facto de ter sido mãe recentemente, reflectindo sobre o facto de que as mulheres “devem pensar mais e gerir melhor a sua vida”, considerando que em Cabo Verde tem-se filhos muito cedo.

“Valorizo muito mais a mulher [agora]”, reconhece. “A força da mulher é muito presente, sobretudo em Cabo Verde, que é um país muito matriarcal, em que a mulher assume a maior parte das tarefas familiares”, realça. Contudo, “não podem continuar a ter filhos aos 14 anos (…) porque obviamente não são filhos planeados.”

Nascida em Lisboa, Lura só visitou Cabo Verde quando tinha 21 anos, mas vive há três anos no país africano, o que “faz toda a diferença”. Deixou de cantar apenas “um país romântico” e envolto na morabeza (sentimento tipicamente cabo-verdiano, difícil de traduzir, como a saudade).

Hoje, fala “com mais conhecimento de causa”, cantando um “país normal, com coisas muito boas e menos boas”, distingue, dando o exemplo da canção “Maria Di Lida”, que resulta da “noção mais clara do que é ser mulher, dessa força e responsabilidade da mulher na sociedade”.

 

TRABALHO DE PRETO
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