Todos temos consciência da situação que Angola enferma actualmente. Não adianta considerarmos que apenas nos devemos contentar com as promessas políticas ou que devemos ficar inactivos face à desenvoltura do actual contexto.

É verdade que muitos de nós deixámos de acreditar, mas será que este é o caminho para a solução?

Claramente que não. Temos de pensar e repensar de uma forma nova porque há também um novo Governo e novas políticas que poderão incidir sobre novas oportunidades.

Não nos podemos tornar pessimistas e ficar estáticos como muitos que atribuem os seus fracassos aos outros, porque perder a esperança é enfraquecer-se para os desafios vindouros, temos de tentar e lutar para que as coisas aconteçam.

Apesar de o Governo fazer referência à atenção especial aos jovens, bem como à inserção de jovens qualificados no sector público e, muitas vezes, assumindo cargos de responsabilidade, não significa que haverá lugar para todos. Temos de ter em conta que há limitações e, para tal, existe também o sector privado, cujo propósito é complementar o público.

Como os particulares podem desenvolver fora do sector público?
A sociedade não desenvolve apenas com sector público, existe também o sector privado que, apesar de ter uma natureza distinta, serve também para complementar o Estado na tarefa da satisfação das necessidades da colectividade.

Os jovens devem explorar as suas capacidades, transformando os seus conhecimentos em soluções para os desafios do país e criar caminhos alternativos das adversidades da economia, a título de exemplo, falarei de uma experiência pessoal ocorrida no ano 2015, em que um grupo de jovens investigadores do qual faço parte criou a empresa de consultoria C&R, CONTAS & RESULTADOS, CONSULTORIA E SERVIÇOS COMERCAIS, LDA, e muitos consideraram inoportuna a ideia e desacreditaram, justificando-se em razão do contexto económico que assola o país. Apesar disso, o grupo apostou numa estratégia em função da situação económica actual, oferecendo produtos e serviços a baixo preço, com a aposta em jovens recém-formados dispostos a abraçarem novos desafios.
Com isso, podemos deduzir que as pessoas podem empreender as suas ideias e não esperar apenas que o Governo revolva os seus problemas. A iniciativa privada ou o empreendedorismo joga um papel importante na redução da pressão ao Estado quanto ao acesso ao emprego.

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Foto: Alex Holyoake

No exemplo apresentado, há várias repercussões, primeiro, o grupo de jovens ao criar uma empresa auto-empregou-se e, ao mesmo tempo, criou oportunidade de emprego para outros. Estes outros, automaticamente, ajudaram a reduzir a pressão feita ao Estado neste domínio e, ao mesmo tempo, tornaram-se parceiros do Estado em função das suas contribuições (Segurança Social e o pagamento de impostos de Selo, Consumo, Industrial, Predial Urbano e outros).

Também poderia referir outros exemplos, como é o caso do Centro de Formação Profissional de Contabilidade e Fiscalidade – Manuel Ribeiro Sebastião, a empresa que monitora o aplicativo Tupuca que trata da entrega de comida ao domicílio e a empresa Ramos Soft Tecnologias, virada para a criação de softwares e formações profissionais.

O tempo que muitos jovens perdem no uso excessivo de bebidas alcoólicas ou se para se reunirem para apontar o Governo como motivo dos seus fracassos seria mais proveitoso para um momento de análise e, consequentemente, a criação de soluções.
Não nos podemos frustrar sem antes lutar porque seremos os principais culpados. A palavra juventude não pode ganhar conotações de fracasso, desespero, inactividade ou falta de esperança uma vez que estes desideratos só aumentam ainda mais a frustração, por isso, temos que acreditar mais em nós do que nos outros.

Angola precisa de todos e não de alguns, vamos todos participar na reconstrução do nosso país.
Uma chamada de atenção a todos os jovens, sobretudo àqueles que estão na função pública ou que, eventualmente, estejam a ocupar cargos de direcção e chefia, em áreas estratégicas: devem trabalhar com responsabilidade porque não estão nesses lugares simplesmente por si, estão a representar e a determinar a viabilidade de aberturas futuras para outros jovens, isso significa que esses têm a responsabilidade de transformar o risco da aposta na juventude em soluções.

Independentemente do sector em que estamos inseridos, trabalhar com responsabilidade, compromisso e resultados seria a única resposta viável para conquistarmos mais confiança dos mais velhos.