Os CD’s ainda são o maior suporte de rentabilização em Angola. Como fazer chegar o que se faz às plataformas de música digital?

As inovações tecnológicas avançam em escala crescente no mundo contemporâneo. Hoje é possível realizar operações que no passado não passavam de meras imaginações. Embora haja muito que se diga a nível das tecnologias, vamos limitar-nos a falar sobre música.

Em países como Estados Unidos da América, Inglaterra, Brasil e Portugal, avançados tecnologicamente, já se discute há mais de uma década a incerteza do futuro dos Compact Disc (CD). Isto tendo em conta o aumento das vendas digitais em comparação com as físicas, resultando naturalmente no colapso de muitas lojas especializadas em CDs. Para ajudar, há nascimento em escala crescente dos serviços streaming de música como por exemplo a Amazon Music, Spotify, Tidal, Apple Music, YouTube e outras plataformas de venda digital.

Já há grandes editoras que estão restringir as vendas em suporte físico, apenas a artistas conceituados e consoante o pedido dos seguidores. Os CDs muitas vezes são apenas para coleccionadores e para oferecer como prenda.

CD

Se para os países referenciados acima, este é um facto consumado, em Angola, passar por esta evolução ainda constitui um grande desafio para a indústria musical.

Em Angola, os artistas ainda têm como prioridade a venda de CD’s e são poucos os que disponibilizam as suas obras nas plataformas digitais rentáveis a nível internacional, limitando-se apenas a serviços como Kisom e YouTube. Os artistas ainda preferem investir no suporte físico porque acreditam que é a maneira mais viável e mais rentável de venderem os seus amigos trabalhos. São poucos os países que ainda resistem à “cultura” de venda e sessão de autógrafos dos CD’s no dia de lançamento. Começou na porta da Rádio Nacional e agora está na Praça da Independência e nas portas dos centros comerciais.

No entanto, as grandes editoras e produtoras que já fazem distribuição digital não estão apenas a tornar a música angolana rentável como também a estão a internacionalizar.

As mais pequenas têm apenas acesso à plataforma da Unitel, Kisom, e ao Youtube que actualmente são as únicas que sem qualquer custo garante rentabilização. À parte da venda física e das plataformas nacionais, parece que bastante popular é também a disponibilização de música através de downloads gratuitos, que não é rentável.

Conforme o tempo passa, vamos tendo menos artistas a venderem cópias físicas e os poucos que ainda vendem nunca são independentes. Talvez a solução, quem sabe, passasse por se arranjar uma solução mais adequada a esta situação que não é apenas endémica a Angola mas a outros países africanos.

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Artistas como Anselmo Ralph, C4 Pedro, Matias Damásio conseguem vender com facilidade as suas obras porque são artistas com sucesso consumado não só em Angola e Portugal mas também em Moçambique, Brasil e países europeus com grandes comunidades lusófonas.