A globalização é como um vírus contagioso que se enraiza por todos os cantos e torna a nossa forma de ser e estar num mutante em constante mutação.

Em Portugal, essa tão falada globalização invadiu as preferências musicais de todos e cada vez mais se consome o produto de indústrias internacionais, quer através das várias plataformas digitais quer nos espaços públicos.

Os grandes sucessos internacionais são também os mais populares em Portugal, o que significa que os sucessos comerciais são determinados pelo mercado internacional independentemente da origem.

As principais plataformas digitais, no final de cada ano, publicam as músicas mais ouvidas com as respectivas estatísticas e, por norma, numa lista de 20 músicas, apenas duas são de artistas portugueses.

Em 2015, o YouTube publicou a lista de dez músicas mais ouvidas em Portugal, liderado pela “See You Again”, de Wiz Khalifa; “Vamos Ficar Por

Aqui”, de C4 Pedro, e apenas um artista português, com a música “Tu e Eu”, de Sérgio Piçarra. Em 2016, “Break of Down”, de Nelson Freitas, encabeçava o top, seguida de “Vai”, de Calema, e também apenas apenas um português e nas últimas posições, “Do You No Wrong”, de Richie Campbell. Já em 2017 também não foi diferente, porque apenas encontramos na lista a música “Se Eu Não Acordar Amanhã”, de Piruka. O top deste ano é liderado pela música “Despachito”, de Luis Fonsi.

Já a plataforma streaming Spotify, que anualmente também divulga o ranking das músicas mais ouvidas do ano, que não fugiu à regra. em 2015, tambem liderada Wiz Khalifa e apenas encontramos os portugueses Carlão e novamente Diogo Piçarra. Em 2016, “One Dance”, de Drake e nos dez primeiros não consta nenhum artista português.

Em 2017, o ranking é liderado pela música “Despachito”, e não consta nenhum artista português.

O Spotify também evidencia as preferências musicais das cidades de Lisboa, Braga, Porto, Aveiro, Coimbra e Leiria, que conclui que o país inteiro tem opções muito semelhantes.

Outra situação que também notamos nestas estatísticas é o assalto ao mercado português por artistas angolanos e cabo-verdianos, como é o caso de Anselmo Ralph, Nelson Freitas, C4 Pedro, Matias Damásio, Badoxa e Calema, cujas baladas dominam os ritmos das pistas de dança lusas.