No dia 8 de março comemora-se o Dia Internacional da Mulher. É aquele dia em que todos, ou quase todos, nos lembramos de como elas são os pilares da nossa sociedade e reafirmamos isso com publicações bonitas nas redes sociais (bom, há os mais sagazes que se lembram de oferecer chocolates. Boa!). Um pequeno à parte, para as angolanas há uma dupla comemoração em março. O dia 2 é o Dia da Mulher Angolana.

Ainda sobre a forma como olhamos para este dia celebrado em todo mundo, há algo que tem saltado a olhos vistos e que vale a pena sublinhar: o empoderamento feminino. Cada vez mais, a mulher está na frente de combate daquela que é uma luta eterna, mas que tem sortido grandes conquistas, quer a nível individual ou geral: a equidade.

Mas, para mim, não se trata apenas de equidade. Se existe um ser sobrenatural entre nós, é definitivamente a mulher. Ela é o centro do criacionismo por trás de toda a humanidade. Não apenas por motivos biológicos, obviamente, mas por ser a força motriz de uma sociedade, mesmo que, muitas vezes, em silêncio e ostracizada.

Mas posto isto, ontem, enquanto pensava no que iria fazer para assinalar o dia aqui na BANTUMEN, surgiu-me uma dúvida. Se efectuar uma publicação no Instagram, como é que a mulher, no geral, quer ser representada?

As reticências acima significam as horas em que fiquei a pensar neste grande problema.

Antes de tudo, fui a vários perfis femininos “importantes” (mas que não sigo nem meto like nos posts porque lembro-me sempre que alguns colegas da minha filha também me seguem no Instagram). Não se pense que é um trabalho fácil analisar fotografias no Insta, porque esta pesquisa leva sempre muito tempo. Isto porque há fotos que valem mais dos que um mero like e merecem toda aquela análise de 360 graus para perceber se são mesmo reais ou apenas mais uma “modelo digital”.

Tomei a primeira decisão. O post vai ser de uma negra até porque a BANTUMEN é uma cena de pretos, e até já tinha o texto para acompanhar a imagem que seria de Nara Nubia Alencar Queiroz, cujo texto e nome desconhecia, tirado do site Pensador.

Mas depois de tanto pesquisar uma foto de uma qualquer beldade curvilínea, há uma pergunta que não quer calar, não me saiu do pensamento a noite toda. Quem melhor pode representar todo um género? Neide Sofia, Nicki Minaj, Nina Simone ou Chandra Talpade Mohanty?

A verdade é que não cheguei a conclusão nenhuma. Só uma mulher consegue responder a esta questão e a sua resposta vai depender sempre de motivos pessoais. Embora sem resposta, há algo que é certo: hoje, a mulher pode efectivamente ser o que ela bem quiser. Com ou sem roupa, com ou sem curvas, com ou sem pêlos, com ou sem cabelo, a majestade é título eterno. Claro que podia estender esta conversa a um nível mais fundamentalista e falar sobre o quão machista e paternalista é ainda a nossa sociedade mas, vá lá, estamos a falar de um post de Instagram.