A vida na periferia lisboeta é plena de narrativas esperançosas de um amanhã improvável. É inspirado nesta premissa que o ator Welket Bungé escreveu e realizou Vã Alma, uma série inserida num projeto pessoal chamado ATHMA.

A história da série tem como pano de fundo o bairro da Nossa Senhora, algures entre Sacavém e Camarate, onde vivem afro-descendentes, indianos, indonésios, ciganos e portugueses ex-emigrantes. É uma comunidade igual a tantas outras, com um “potencial disruptivo mas ainda adormecido. Porque nem tudo o que precariza certos meios da nossa iludida sociedade a define enquanto lugar de marginalidade e discriminação, mas faz com que aquelas pessoas sejam mais instintivas, se alimentem de esperanças improváveis e se atirarem de cabeça na mais pequena possibilidade que exista para salvação”, explica-nos Welket.

“A cadência da vida inscrita no “liricísmo” do novo hip-hop tuga e a sagacidade para resolver problemas no dia-a-dia, combatendo as desigualdades instaladas pelo sistema, são a força motriz dos diálogos incorporados na estória destas pessoas. Vã Alma é a vida nos arredores de Lisboa, contada por jovens que lutam para sobreviver no dia-a-dia com os meios que possuem, à sua maneira”, continua o realizador da série que teve a sua ante-estreia no YouTube e vai entretanto chegar ao serviço RTP Play.

Vã Alma está inserida num projeto pessoal de Welket Bungé intitulado ATHMA, que inclui uma série, uma curta-metragem e uma longa-metragem. Os argumentos cruzam-se entre si. Bastien (filmado em 2015) intervêm no enredo e o assunto e personagens presentes em Vã Alma irão depois aparecer para o desfecho da história na curta Arriaga.

Depois de lançada a série, Welket já está na fase de pós-produção da curta-metragem Arriaga. “Em 2019 irei captar fundos e reunir-me com produtoras para conseguir realizar a longa-metragem Athma. Desde Bastien (2015) que tenho escrito narrativas ficcionais, inspiradas em casos reais acerca de temáticas de realidade social.”