Ivanilson de Carvalho, rapper angolano mais conhecido como Blackson, é amante de rap e da música, no geral. Realizou o sonho de dividir o palco com grandes nomes da música africana e participou em vários programas de televisão e rádio como O Show da Virada, Janela Aberta, Programa 1012 e Rádio Luanda. Mas não parou por aqui, Blackson foi convidado a participar em vários eventos em Londres [onde vive], Miss Angola, Miss Cabo-Verde e em discotecas à volta da Europa e já teve a oportunidade de fazer uma pequena tour pelo país que o viu nascer, Angola.

Atualmente, o rapper tem trabalhando no seu primeiro álbum a solo Take Me, ainda sem data de lançamento, mas que já conta com três singles e videoclipes nas plataformas digitais, “Balar”, “Take Me” e “Vem cá”O álbum é o fruto de trabalho de quase um ano, sem barreiras e fronteiras. Em entrevista à BANTUMEN, Blackson deu-nos a conhecer mais do seu percurso musical, a ligação com o rap e as mudanças na sua vida.

Como surgiu o nome “Blackson”?

Blackson quer dizer filho negro em português. Tenho três irmãos e fisicamente não somos nada parecidos. Começando pela cor, eles são mulatos e eu o único mais escuro. Então, intitulei-me de filho negro, Blackson porque em inglês soava melhor.

O amor pelo rap foi incutido na tua infância ou foi algo que foste descobrindo?

Foi algo incutido na minha infância, desde que me lembro sempre tive uma forte ligação com a música e apaixonei-me por um estilo em particular, o rap. Entretanto, a minha mãe decidiu que nos devíamos mudar de Angola para Portugal, e como era menor não tive muita escolha, mas em terras lusas a paixão pelo rap só veio aumentar e abriu-me muitas portas.

Qual foi o show mais marcante em Portugal, e que importância teve na tua carreira?

O show mas marcante para mim em Portugal foi no evento Miss Póvoa de Santo Adrião, em Odivelas. A sala estava super cheia, o público interagiu imenso comigo enquanto cantava e fui muito elogiado. Foi esse concerto que me abriu algumas portas, recebi o convite por parte do Presidente da Câmara Municipal na altura, convidou me para cantar em todos os eventos da freguesia. Tanto o concerto como o convite oficial, tiveram imenso impacto na minha vida e carreira.

“Foi dos melhores concertos da minha vida”

A criação do grupo “Doutos Tipos” foi essencial para ti?

“Doutos Tipos”, que foi das bases principais no meu percurso, foi realmente muito importante. Mas como mudei de país, o grupo acabou. Fui para Londres para estudar música, trabalhar e ter melhores condições de vida. Sem contar que estava perto da minha família, que já tinham emigrado para o Reino Unido.

Nas tuas três mixtape’s: Verdades & Consequências, Amor, Suor & Alegria e Parar é Morrer, com que produtores trabalhaste?

Nas minha mixtapes trabalhei com o produtor DJ Joca Moreno, um pilar old school ao qual tenho muito respeito, um produtor nigeriano F.O.B, trabalhei com o produtor Dj Femmy. Alguns beats foram tirados da net e não me recordo de todos os produtores, outros foram produzidos por colegas meus na altura em que estudava.

O teu trabalho foi bem recebido pelo povo inglês?

Sim, graças a Deus os meus trabalhos foram bem recebidos pelo povo inglês. Não percebem a língua, mas têm consumido bem o meu trabalho. É um motivo de orgulho quando a música passa a ser universal, sem barreiras.

“Mesmo que não percebam o que canto, a vibe e o feeling faz com quem curtam da minha música”

Rap Love, um max single como o chamas, foi um culminar de anos de experiência e aprendizagem?

Rap Love foi sem dúvida uma aprendizagem, uma nova experiência num estilo que me identifica muito. Tive a oportunidade de abraçar algo diferente do que estava habituado, então assim o fiz.

Se estivesses em Portugal ou Angola, conseguirias ter o sucesso que tens, com concertos em França, Holanda entre outros países?

Tenho certeza absoluta que sim e até seria muito mas fácil para mim devido à língua e teria mais público, mais pessoas se identificariam com a minha música e conseguia tocar em mais almas.

Qual a sensação de dividir o palco com grandes artistas como Dom Kikas, Yuri da Cunha e Nilton Ramalho?

Dividir o palco com esses cantores foi um dos sonhos realizados, e será sempre um prazer continuar a dividir o palco com cantores que de alguma forma me inspiram.

“Tenho imenso respeito pelos cantores com quem partilhei o palco”

Foi um sonho realizado o nascimento da tua label “Lokamira”?

Inicialmente, não pensava sequer em ter a minha própria editora, mas à medida que fui ganhando experiência no game, foi só juntar o útil ao agradável e assim nasceu a Lokamira.

Como foi o processo criativo do teu primeiro álbum Take Me? Já tem data de lançamento?

O álbum Take Me foi sim um processo muito criativo, onde trabalhei com vários produtores com os quais nunca tinha trabalhado e amei. As pessoas podem esperar faixas mais calmas, um rap love soft, com instrumentais de kizomba, boa mensagem, flow, métrica e bons chorus. Ainda não tenho datas para o lançamento, tenho estado a lançar os singles em vídeos.

“Espero anunciar a data do álbum em breve, não pretendo guarda-lo por muito mais tempo”

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Previsões para o futuro?

Para além de álbum, já tenho algumas faixas gravadas para um EP, Provavelmente lançarei faixas soltas com algumas colaborações com artistas conhecidos, mas prefiro não falar muito em relação a isso porque estou a trabalhar nesse processo.