Com uma indústria têxtil frágil e sem uma única escola de moda no país, a Tanzânia tem visto florescer um dos maiores eventos de moda da África Oriental. Um dos grandes nomes desse florescimento é Mustafa Hassanali, o criador da Swahili Fashion Week (SFW), em 2008. “Para partilhar a minha experiência das semanas de moda no exterior, achei que era hora de criar uma plataforma onde pudéssemos celebrar a moda tanzaniana”, lembra Mustafa Hassanali, citado pelo Le Point.

A falta de profissionalização no sector levou-o mais longe. Transformou todo o sector. Na época, os poucos desfiles eram considerados entretenimento e o público estava mais interessado em modelos do que em coleções. “Percebi que este evento deve promover não só os criadores nacionais, mas também os de toda a região onde falamos o suaíli”, disse o fundador. Além disso, sendo também estilista ele próprio, prefere não revelar as suas coleções durante o SFW, porque quer concentrar as atenções no trabalho dos estilistas que participam no seu evento.

Apesar da falta de apoio, financiamento e assistência, no seu início Hassanali lutou para fazer do SFW a referência de moda na região africana, chegando inclusive a receber a supermodelo Naomi Campbell nas suas passarelas. Uma década depois, o evento ganhou notoriedade e é motivo de orgulho nacional de um povo que pouco a pouco começa a mudar os seus hábitos de consumo.

A última edição, realizada em Dar es Salaam, no Museu Nacional do país, no final de 2017, começou com uma conferência inaugural, sob os auspícios do Ministério da Indústria, Comércio e Investimento, demonstrando a importância do evento. Em particular, recordou-se que a indústria da moda local gera receitas significativas e que os países da África Oriental precisam proteger o seu mercado têxtil e produzir mais tecido.

30 designers locais reconhecidos internacionalmente, como Kemi Kalikawe ou Christine Zamba, e 13 designers estrangeiros, exemplo de Martha Jabo Tsakatsa do Uganda e Ismael do Zimbábue, mostraram as suas mais recentes coleções, durante três dias.

Nos últimos anos, o SFW incide sobre o desenvolvimento sustentável, como os guarda-chuvas reciclados de Ailinda Sawe, a grande dama da moda tanzaniana há quatro décadas, e a parceria com a Associação de Ajuda Selvagem com três designers consagrados, Farouque Abdela, Doreen Mashika e Jamilla Vera Swai, para chamar a atenção para o tráfico de marfim.

Finalmente, pela primeira vez na história do SFW, o prémio geral foi para dois talentosos criadores, Emmanuel Kisusi e Mary Immaculate Gervace.

A próxima edição do evento acontece a 30 de junho deste ano.