Talvez o título deste artigo seja forte demais. Ou talvez não estejamos habituados a “chamar os bois pelos nomes”. Mas, para quem vive fora do continente berço, quem não tem um amigo que fala de África como se fosse um país? Quem não conhece alguém que foi de férias para um país africano e as únicas fotos que exibe são de pobrezinhos coitadinhos de pé no chão e ranho no nariz? Ou dos safaris onde fazem festinhas a leões e dão de comer a girafas? Quem nunca?

Na Grã-Bretanha, a horas bem tardias, na televisão, vemos passar vezes sem conta um anúncio de apelo à solidariedade para com a população africana faminta. Já no horário diurno, contam-se pelos dedos de uma só mão os mulatos em destaque na programação – escusado será mencionar o número de negros de tez escura. No Brasil, quantas vezes lemos ou ouvimos que fulano foi a África ou que “lá na África” aconteceu assado, sem nunca frisar de que país ou povo se fala?

A lista de coisas que me provocam comichão crónica é longa. Mas vamos antes falar sobre o que interessa?

Quando queremos pesquisar conteúdo sobre África, temos de nos esforçar e tirar das vistas  as montanhas de textos e imagens de pobreza e vida selvagem, para chegar à inovação, empreendedorismo, às conquistas económicas, sociais e culturais… a todo um tanto de informação “positiva”.

É o que a BANTUMEN faz há três anos. Cava nos meandros da Internet à procura do que África e a sua diáspora tem oferecido de melhor. Com um foco no entretenimento e cada vez mais a pender para o lado business, a BANTUMEN continua a avançar em direção à excelência negra.

Vamos a factos:

O continente africano tem uma das economias que mais rapidamente cresce. O Banco Mundial prevê um crescimento económico de 3,2% para 2018, contra 2,4% em 2017. Para 2019, a instituição prevê um crescimento de 3,5%.

42% é quanto cresceu o Facebook em número de utilizadores ativos mensais, só no continente africano, desde 2015. Ao todo são mais de 170 milhões de utilizadores.

Em 2017, o Ruanda foi considerado o nono país mais seguro do mundo.

Em defesa do ambiente, o Ruanda foi o primeiro país do mundo a banir o uso de sacos de plásticos, em 2008.

Ah, ainda no Ruanda, 64% dos membros do parlamento é constituído por mulheres (que país maravilhoso, não?).

Com 52 metros de altura, “African Renaissance”, Perto do aeroporto de Dakar, Senegal, é a maior estátua do mundo.

O Museu Zeitz, na África do Sul, é o maior museu de arte contemporânea do mundo.

A famosa casa de leilões britânica Bonhams viu os seus preços multiplicarem por cinco a partir do momento em que começaram a leiloar peças de arte africana.

Vale a pena ver também a lista dos 100 afrodescendentes mais influentes do mundo, que dá-nos a conhecer o melhor do empreendedorismo e business de cunho africano. Homens e mulheres que têm trabalhado para dar ao mundo o seu savoir-faire em diversas áreas.

Neste 25 de maio de 2018, Feliz Dia de África.

Escrevo aqui e ali. Gosto de estórias que marcam histórias. Sou de Portugal, com veia cabo-verdiana, dois pés em Angola e coração em França. Africanidade, estilos de vida e música são os temas que me prendem a atenção, mas gosto de me distrair com politiquices e bizarrices.