Oito mulheres acusam o ator Morgan Freeman de assédio sexual numa investigação da CNN. Freeman enviou uma mensagem na quinta-feira, 24 de maio, pedindo desculpas “a qualquer um que se tenha sentido desconfortável ou não respeitado.” E que nunca foi essa a sua intenção.

“Qualquer um que me conhece ou trabalhou comigo sabe que não sou alguém que intencionalmente quer perturbar ou deixar alguém desconfortável”, alegou o ator vencedor de um Oscar, que se torna a mais nova estrela de Hollywood presa nas malhas da delação de casos de assédio sexual, iniciada contra Harvey Weinstein.

No total, das dezenas de pessoas abordadas pela CNN que trabalharam com o comediante de 80 anos, oito disseram ter sido perseguidas e oito outras disseram que estavam envolvidas em atos impróprios.

“Ele fazia comentários sobre o nosso corpo”

Uma jovem assistente de produção do filme de 2015 Going in Style, diz que Freeman tocou-a ou acariciou-a na parte inferior das costas, também comentando sobre sua figura ou roupa.

O ator de Batman Begins e Million Dollar Baby, que lhe rendeu o Oscar de Melhor Ator Secundário em 2004, teria tentado por diversas vezes “levantar a minha saia e perguntava se eu usava roupa interior”, recorda a jovem anonimamente, por medo de repercussões na sua carreira. A determinado momento, o seu colega Alan Arkin “pediu-lhe para parar. O Morgan ficou com medo e não sabia o que dizer”, continuou.

Um membro da equipa de produção de outro filme, Now You See Me (2013) relatou um comportamento semelhante do ator, afirmando que o Freeman tinha-a assediado a ela e outras assistentes. “Ele fazia comentários sobre o nosso corpo”, disse acrescentando que essas mulheres se certificaram de não usar roupas apertadas.

O comediante fundou uma produtora, a Revelations Entertainment, onde sete das mulheres entrevistadas pela CNN descreveram um ambiente de trabalho de assédio, às vezes na presença da sua parceira e co-fundadora, Lori McCreary.

Um das mulheres que denunciam o comportamento impróprio do conceituado ator é uma jornalista da CNN, Chloe Melas. A jornalista diz que foi submetida a comentários sexuais impróprios durante uma conferência de imprensa, enquanto estava grávida de seis meses.

Transmitido pela CNN, o vídeo da conferência mostra Morgan Freeman a olhar de forma sugestiva e a afirmar “Ah, como eu gostaria de estar aí” quando ela engravidou. O canal americano também transmitiu o vídeo de uma entrevista com outra jornalista durante a qual ele insinua que ambos são solteiros.