Quando falamos de luta, automaticamente, pensamos em homens, boxe, MMA, UFC, e em grandes campeões como Muhammad Ali, Mike Tyson, Floyd Mayweather, Patricio Pitbull e Douglas Lima.

Neste mundo, que se pensa pertencer aos homens, há mulheres que têm feito prova da sua força, coragem e tenacidade. Como prova viva, temos a lutadora Kyra Gracie Guimarães que é pentacampeã mundial de Jiu-Jitsu, e que marcou a diferença com o seu estilo próprio.

E são exatamente esses fatores que compõem o caracter de Vanessa Pereira, tricampeã mundial de Jiu-Jitsu, faixa-roxa e membro da equipa Kimura Nova União.

O desporto sempre fez parte da sua vida e o contacto físico sempre a atraiu, quer num campo ou ginásio, entre as aulas de educação física ou brincadeiras na rua com os amigos. Praticou rugby dos 13 aos 25 anos e foi quando conheceu a sua primeira paixão. Pouco tempo depois, conheceu um novo amor, o jiu-jitsu, por insistência dos seus amigos.

Vanessa Pereira
Foto: BANTUMEN

Em 2007, Vanessa emigrou para a Suíça. Com uma academia perto de casa, a tricampeã começou a treinar, primeiro boxe e nos dias seguintes jiu-jitsu. A 1.533,59 km de Portugal, a vontade de continuar foi desvanecendo, mas Vanessa acabou por encontrar o incentivo e inspiração nos pais, principalmente na mãe que teve um papel importante na sua vida. Mas inicialmente ainda teve de enfrentar o seu desagrado em relação à prática de uma arte marcial. Entretanto, as vitórias, taças e medalhas ajudaram a conquistar a sua aprovação.  

“Sempre disse À minha mãe que ia ganhar e ia ser campeã mundial”

Detentora de 68 medalhas, Vanessa sente que faltam apoios no desporto feminino. “Apesar de ser tricampeã, os patrocínios e as pessoas com quem lido dentro do desporto, não acreditam no potencial que uma mulher possa ter num desporto onde os homens são predominantes.”

Vanessa gere o seu tempo entre o trabalho de secretaria, academia e campeonatos, e considera-se uma mulher de força. “Sendo mulher, não é  fácil a nível de credibilidade, as pessoas não apoiam e quando procuras patrocínios e ajudas não és vista com bons olhos. Não acreditam no teu potencial”, confessa a tricampeã.

Enquanto está no tatame, não pensa só em vencer a luta, pensa no que pode fazer com o estatuto que tem. O desejo de Vanessa, após a transição de faixa roxa para preta, é abrir a sua própria academia, onde dará aulas a mulheres e crianças com deficiência mental e motora.

“Sou das poucas atletas negras num nível elevado. Mas o importante não é isso e nem mudar de faixa, mas a evolução enquanto pessoa, e saber lidar com as coisas da vida”

Papa medalhas, como alguns sites a chamam, esteve em Lisboa, Portugal, de férias e esteve em conversa com a BANTUMEN. Contou-nos um pouco mais sobre o seu percurso, como tudo começou, as suas inspirações e conquistas enquanto mulher, negra e lutadora. Numa mistura de palavras, sorrisos e luta, Vanessa deu umas dicas de alguns truques que podem te deixar de queixo caído…literalmente. Confirma no video abaixo: