De um jeito meio tímido, o rompimento em Angola já se fazia ouvir nos final dos anos ’90, através de programas de rádio e das famosas rodas de freestyle nos bairros suburbanos. O movimento ganhou o seu espaço, mas o olhar de Fly Squad (CEO dos Reis do Rompimentos, Primeira Liga) viu mais além.

Reis Do Rompimento Primeira Liga (RRPL) transformou o rompimento que era conotado como um estilo pouco aceite e acabou por se tornar numa empresa que tem tirado muitos jovens das ruas e dado-lhes um espaço onde se podem exprimir sem censuras.

Foi no ano de 2013, no dia 9 de janeiro, que teve início a liga. A sua criação motivou o surgimento de novos artistas, a sua transição das ruas para os palcos foi um processo curto devido ao facto de ter parceiros já com um nome no mercado musical angolano.

“Não estivemos muito tempo na rua a fazer isso, só fizemos quatro edições, com a duração de dois meses. De lá para cá, o palco tem sido a nossa forma de nos manifestarmos“, explicou Fly Squad à BANTUMEN.

Com várias edições já feitas, e algumas batalhas fora do território geográfico de Angola, a RRPL tem ganho alguns seguidores e é também uma fonte de rendimento para os seus gladiadores. Temos como exemplo Mente Mágica, que acabou de pagar a sua formação universitária com dinheiro do rompimento. “Já é rentável a partir do momento que tens casa cheia, que o artista vai fazer batalhas fora do país. Somos convidados para representar a liga em outros eventos, até mesmo aniversários. A questão agora é saber como cuidar desse património e podemos ganhar muito mais.“

A liga, que nasceu nas ruas de Luanda, começou a ganhar território lusófono, como Portugal e Moçambique, tendo estabelecido um intercâmbio. O último país aonde os gladiadores angolanos pisaram foi Moçambique, fazendo assim o registo de cinco eventos a nível internacional.


C4 Pedro abraçou a liga depois do evento realizado em Portugal. “Ele tem sido uma grande influência para mim e isso tem se refletido na liga”, disse Fly. Sendo amante de rompimento, Dom Pedro envia áudios com opiniões para melhoramento do projeto. A batalha entre Angola e Portugal, realizada em Lisboa, teve o seu apoio financeiro.

A realização do DVD não foi muito rentável para liga e o YouTube tornou-se num aliado perfeito para a divulgação das batalha. “Mesmo sendo o quarto canal de YouTube mais visto em Angola, não tenho ganho nada com a plataforma a não ser a divulgação do meu trabalho.“ Além de que, com o crescimento da conta do YouTube, a RRPL vai tornar-se a maior liga de rompimento da lusofonia. Pelo menos, é esse o maior objetivo.