Ferro Gaita | Karlom

Ferro Gaita e Karlon marcam segundo dia do palco africano do Rock In Rio

Ferro Gaita e o rapper crioulo Karlon foram os cabeças de cartaz do palco EDP Rock Street no segundo do Rock In Rio Lisboa.

Na cronologia para o dia de hoje no palco africano, além dos cabo-verdianos, directamente da Bélgica deveríamos também ouvir o congolês Baloji, mas devido a uma complicação com o seu voo, a atuação do rapper e escritor foi riscada do festival, o que poderia ter sido uma viagem ao álbum Hotel Impala, certificado ouro, e auto-biográfico sobre a sua vida e resposta a uma carta da sua mãe, encontrada por ele.

FOTO: BANTUMEN / Miguel Roque

Karlon acabou por subir ao palco duas vezes, às 15 e às 17 horas, que nos relembrou  imediatamente dos Nigga Poison. O grupo que nasceu em 1994 e que é uma das bandas de referência do hip hop tuga.

Agora, com duas horas para mostrar e recordar o melhor do rap crioulo e da música cabo-verdiana, Karlon levou ao palco três convidados. Na conga esteve o cantor e percussionista Bdjoy, Maria Tavares que cantou o refrão de “Sodade” de Cesária Évora, falecida em 2011 e também Michel, X-Acto, Maria, Daniela e Felix. Juntamente com Karlon, os artistas recordaram os melhores clássicos cabo-verdianos misturados com as suas rimas em crioulo. Mais de duzentas pessoas na frente do palco acompanharam cada refrão das várias músicas apresentadas.

FOTO: BANTUMEN / Miguel Roque

Karlon é um dos pioneiros do rap crioulo em Portugal, agora canta a solo, e em 2001 fundou a editora Kreduson Produson. Descendente de pais cabo-verdianos, o rapper quis mostrar através das palavras e rimas a sua cultura, vivências e lutas. É formado no curso de Artes e Ofícios do Espetáculo (Chapitô), o que lhe proporcionou mais alma para os concertos.

FOTO: BANTUMEN / Miguel Roque

Mas Ferro Gaita, é Ferro Gaita. Sem querer reduzir os outros artistas, a banda de funaná de Cabo-Verde foi a atração mais esperada no dia hoje. O nome do grupo é a combinação de dois instrumentos, o ferro (pedaço de metal tocado com uma faca) e a gaita (tipo de acordeão) que são utilizados na música tradicional cabo-verdiana, como instrumentos base do género musical mais tocado pelo grupo: o funaná e o batuque.

FOTO: BANTUMEN / Miguel Roque

Iduino, Adão Brito, Bino Branco, Manel Di Tilina, Jorge Martins e Pitó chegaram, subiram ao palco e receberam uma grande ovação das mais de 300 pessoas na frente do palco, entre eles cabo-verdianos e descendentes de cabo-verdianos que viajaram de Paris para Lisboa só para ver o grupo. Há ainda a referir um espectador especial que cantou e dançou a cada música ouvida: Boss AC.

FOTO: BANTUMEN / Miguel Roque

Criado a 22 de Julho de 1996, o grupo Ferro Gaita levou Cabo-Verde para o palco e na sua maneira de actuar, com muita vontade e amor, mostraram que a música tradicional da terra de Amilcar Cabral, não pode e nem vai morrer.

Durante os dois primeiros dias da 8.ª edição do Rock in Rio-Lisboa, a Cidade do Rock recebeu 156.000 pessoas, com o segundo dia – dominado por Bruno Mars – esgotado (85.000 pessoas). No primeiro dia foram 71.000 as pessoas que assistiram aos espetáculos de Muse, Bastille, HAIM e Diogo Piçarra (no Palco Mundo), num dia que também ficou marcado pela atuação de Bonga.

Além dos concertos do Palco Mundo e do espetáculo de fogo-de-artífico que, a cada edição, continua a surpreender e a emocionar, os destaques deste primeiro fim-de-semana passam, também, pela EDP Rock Street que traz sons tradicionais e modernos do continente africano diretamente para a Bela Vista.

Também o Music Valley recebeu vários elogios, com espetáculos das maiores vozes portuguesas da atualidade, pool parties e festas eletrónicas que dominaram, não só, o vale como contaminaram todo o recinto.

Outra das novidades desta edição que se apresenta, já, no topo de preferências dos visitantes da Cidade do Rock é o Time Out Market Rock in Rio – um projeto que se estreia esta edição e a primeira vez que o food hall do Mercado da Ribeira se instala num festival de música. As propostas de alta gastronomia de consagrados chefs como Vítor Sobral, Alexandre Silva, Henrique Sá Pessoa, Noélia, Marlene Vieira ou Susana Felicidade têm sido verdadeiros petiscos.

Atrás não fica o Pop District, que esteve lotado em ambos os dias. Quer no Super Bock Digital Stage, com acts inéditos dos maiores influenciadores digitais como Wuant, Windoh ou SEA, ou na Arena Worten Game Ring, os fãs foram ao rubro.

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Wilds Gomes

Sou um tipo fora do vulgar, tal e qual o meu nome. Vivo num caos organizado entre o Ethos, Pathos e Logos - coisas que aprendi no curso de Comunicação e Jornalismo. Do Calulu de São Tomé a Cachupa de Cabo-Verde, tenho as raízes lusófonas bem vincadas. Sou tudo e um pouco, e de tudo escrevo, afinal tudo é possível quando se escreve.