Estes são os dez piores países do mundo para trabalhar

Argélia, Bangladesh e Camboja ocupam os três primeiros lugares do ranking elaborado pela ITUC dos piores países para trabalhar. No top dez constam ainda outros centros de aprovisionamento de têxteis e vestuário usados pelas marcas ocidentais, incluindo a Turquia. Mas Portugal também não escapa às críticas.

O relatório de 2018 da Internacional Trade Union Confederation (ITUC) coloca a Argélia no topo de um ranking, composto pelo Bangladesh, Camboja, Colômbia, Egito, Guatemala, Cazaquistão, Filipinas, Arábia Saudita e Turquia.

O país africano foi apontado como o pior devido à repressão estatal, às prisões em massa e à proibição de protestos. Já no Bangladesh, o relatório aponta que, «durante anos, os trabalhadores foram expostos a uma severa repressão do Estado, incluindo a aplicações de violentas medidas de repressão a protestos pacíficos através da conhecida “polícia industrial” do Bangladesh e intimidação, direcionada para evitar a formação de sindicatos».

O relatório vai mesmo mais longe e dá exemplos de casos de violência, incluindo o ataque físico e ameaças a trabalhadores que se queriam inscrever num recém-formado sindicato na fábrica Orchid Sweater e o ataque que causou 50 feridos entre funcionários da Haesong Corporation Ltd que estavam a manifestar-se contra as condições na empresa.

No Camboja, a história repete-se, com a repressão de trabalhadores a ser particularmente evidente na indústria têxtil e vestuário. A confeção Southland suspendeu 10 sindicalistas a 7 de junho do ano passado, depois de uma greve de 1.500 trabalhadores às horas extraordinárias, enquanto a Gawon Apparel despediu 588 trabalhadores por fazerem greve.

O Médio Oriente e o Norte de África foram considerados as piores regiões no tratamento de trabalhadores, com o sistema kafala [que permite aos empregadores confiscar os passaportes dos trabalhadores imigrantes] no Golfo a sujeitar milhões de pessoas à escravatura moderna. A negação absoluta de direitos básicos aos trabalhadores continua na Arábia Saudita, enquanto os conflitos na Líbia, na Palestina, na Síria e no Iémen condicionam o direito a encontrar emprego, aponta o relatório.

As condições na Ásia-Pacífico também se deterioraram, com um aumento da violência, criminalização do direito à greve e um acréscimo de detenções e sentenças de prisão a ativistas e líderes sindicais. Todos os 22 países da região violaram os direitos à negociação coletiva e à greve.

Em África, os trabalhadores foram expostos a violência física em 65% dos países da região, com protestos na Nigéria a terem sido violentamente reprimidos pelo exército.
Nas Américas, há igualmente um clima de extrema violência e repressão dos trabalhadores e líderes sindicais.

Já na Europa, 58% dos países violaram os direitos de negociação coletiva e três-quartos dos países violaram o direito à greve.

BANTULOJA
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BANTUMEN c/ agências

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