O primogénito da label Cave Play, de kid MC, viu nascer a sua veia artística em terras de Camões, mais propriamente na margem sul de Lisboa aonde viveu nove anos. A descoberta do seu talento começou em pequenas rodas de freestyle e em 2006 acabou por se juntar A dois amigos com quem dividia o mesmo amor pela música.

O nome Luso apareceu graças à sua habilidade de criar e enquadrar versos em português, desde o princípio da sua carreira, o rapper sempre deu mais primazia ao conteúdo das suas letras do que ao flow.

Em casa, Luso também partilhava o seu amor pela música com o irmão Vito, além de morarem num bairro que para muitos é o berço do rap tuga, Vito era também muito ligado ao rap norte-americano.

Com o seu rap underground, Luso fala de reeducação social: “não basta só falar dos problemas, é necessário trazer soluções“ explicou à BANTUMEN. Mas o rapper garante que não se sente preso a um estilo único. “Não estou preso a este estilo de rap, o que tiver que cantar eu canto”.

Kid MC apareceu na sua carreira como uma luz ao fundo do túnel. Graças ao trabalho de divulgação nas redes sociais de Luso, a sua música chegou aos ouvidos de Kid Manuel aka Kid MC. “Inocentemente enviei o meu número para uma das supostas contas fantasmas de Kid MC, mas ele respondeu e disse que gostou do meu trabalho.”

Se é new ou old school, Luso não se deixa levar por rótulos: “O conceito de nova escola é muito subjetivo para mim, porque és sempre novo quando as pessoas começam conhecer-te ou quando começas a ganhar alguma notoriedade”.

No SoundCloud, já podemos ouvir o primeiro trabalho do rapper com a assinatura da Cave Play. A mixtape 255 quadra 82 é uma homenagem ao seu falecido irmão Vito. 255 é o número com que o seu irmão foi sepultado. ”A morte do meu irmão mandou-me abaixo, mas depois voltei com uma força maior para fazer rap. O objectivo é meter o nome do Vito no mapa“.

O projeto tem 11 faixas musicais e conta com as vozes de Kid Mc e Muta.

O próximo trabalho já está na calha, para o qual Luso diz estar a pensar numa maior variação de sonoridades.

Apesar de hoje em dia a Internet ser o ponto principal de venda ou divulgação de um trabalho musical, Luso quer um dia destes vender o seu trabalho em formato físico. “Para o meu próximo trabalho vamos unir o útil ao agradável, dando o meu álbum em dois formatos, o físico e o digital”.